quarta-feira, 20 de julho de 2011

REVOLUÇÃO DE 1923

video

Vídeo elaborado com fotografias sobre a Revolução de 1923 em Bagé, RS, com base no livro do Prof. Cláudio de Leão Lemieszek, intitulado "Noticias da Revolução de 1923 em Bagé, a Capital da Paz", Praça da Matriz Editora, Bagé, 2008.
É também uma homenagem a esse competente e talentoso escritor portoalegrense radicado em Bagé, RS.
O hino do Rio Grande do Sul acompanha as imagens.

José Francisco Lacerda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

José Francisco Lacerda, vulgo Chico Diabo, (Camaquã, 1848 — Cerro Largo, 1893) foi um militar (cabo) brasileiro que lutou na Guerra do Paraguai e ficou famoso por ter matado o ditador paraguaio Francisco Solano López, na batalha de Cerro Corá (1º de março de 1870).

Biografia
Chico nasceu numa família de poucos recursos e, ainda menino, empregou-se na carniçaria de propriedade de um italiano, em São Lourenço do Sul, município vizinho à Camaquã, sua terra natal. Nesta carniçaria fabricava produtos como charque, linguiça e salame.







Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluíndo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita).
Em 1863, quando contava apenas 15 anos, Chico descuidou-se da vigilância e um cão entrou no recinto onde estava guardada a carne, devorando alguns pedaços. Ao tomar conhecimento do ocorrido pelo próprio Chico, o italiano passou a agredi-lo. O menino tomou de uma faca usada no seu trabalho e matou seu patrão. De imediato, fugiu a pé para a casa de seus pais, onde chegou na manhã do dia seguinte, portanto caminhando um dia e uma noite sem parar para descanso.
Ao ver um vulto, ao longe, a mãe de Chico exclamou: “Garanto que é aquele diabinho que vem vindo”. Por causa desta frase, ganhou o apelido de Chico Diabo que o acompanharia pelo resto da vida.
Os pais, com medo de que o filho sofresse represálias, providenciaram sua mudança para a propriedade de seu tio Vicente Lacerda, em Bagé.
Em 1865, passou pelo local um destacamento dos Voluntários da Pátria, comandado pelo então Coronel Joca Tavares, que ia se juntar às forças brasileiras que combatiam no Paraguai. Convidado a integrar ao contingente, Chico aceitou.
Na Guerra do Paraguai, Chico, já então promovido a cabo, celebrizou-se por haver matado, na Batalha de Cerro Corá, o ditador Francisco Solano López, com um certeiro golpe de lança na virilha. O golpe foi aparentemente fatal, embora, na seqüência, o soldado gaúcho João Soares, tenha alvejado López com um tiro de revólver.
Ao matar o ditador, Chico teria descumprido ordens superiores, que determinavam que ele fosse capturado vivo. Mas não há consenso entre os historiadores quanto a este fato. Alguns autores inclusive afirmam que havia uma recompensa de cem libras de ouro para quem o matasse. Segundo fontes da época o Imperador Dom Pedro não autorizou que Lacerda recebesse a medalha por bravura em combate, porque temia que na Europa pensassem que Solano Lopez teria sido morto após ser preso. Outras fontes revelam que Joca Tavares fazia parte da Maçonaria, da qual Solano era membro e no combate este se recusou a enfrentá-lo.
No entanto, Chico recebeu como recompensa cem vaquilhonas (vacas que ainda não deram cria). Tomou ainda para si a faca de prata e ouro que López levava quando foi morto e na qual constavam, gravadas em ouro, as iniciais FL, coincidentemente as mesmas do nome de Chico. A lança usada pelo militar brasileiro no episódio encontra-se no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
O nome de Chico ficou consagrado popularmente em uma quadrinha muito em voga na época: "O Cabo Chico Diabo, do diabo Chico deu cabo".
Ao retornar do Paraguai, em 1871, Chico casou-se com uma prima, Isabel Vaz Lacerda, com quem teve quatro filhos, e trabalhou como capataz em várias estâncias.
Faleceu repentinamente, em 1893, quando se encontrava no Uruguai a serviço de Joca Tavares. Para receber os restos mortais do marido, anos depois, a viúva Isabel teve que contratar um uruguaio para roubá-los. Seu corpo foi sepultado novamente no Cemitério da Guarda, em Bagé. Em 2002, foi colocada uma lápide sobre o túmulo, por iniciativa do núcleo de pesquisas históricas daquela cidade gaúcha.

Vida e morte de Adão Latorre



por: Luis Godinho

[13H:25MIN] 30/12/2005 - PARAPEITO

No ano de 1983 ao ler o livro A história de Bagé de Eurico Jacinto Sales, edição 1955, dei início a uma pesquisa sobre a vida de Adão Latorre, o que acabou em letra e música. Naquela época ainda não se dava muita importância à degola (combate do Rio Negro). Entendiam que o “Negro Adão” não passava de um covarde a mando do general Joca Tavares. Os anos se passaram e a música com letra de minha autoria e melodia de Luiz Carlos Camejo Cardoso (o Cardosinho de Bagé), interpretação de Wilson Paim, tornou mais popular e entendida a figura de Adão Latorre. Já no ano de 1993, Centenário da Revolução Federalista, a Urcamp Bagé, através do ilustre mestre, professor, pesquisador e historiador dr. Tarcísio Antônio da Costa Taborda, realiza um belo conclave em comemoração ao centenário da revolução, quando então anuncia que Adão Latorre era um tenente-coronel do Exército Uruguaio e que atuava como mercenário na dita revolução. Já no ano 2004, juntamente com o Núcleo de Pesquisa Históricas de Bagé, que tem o nome em homenagem ao dr. Tarcísio, visitamos o túmulo de Chico Diabo (na Guardinha) e logo a seguir o de Adão Latorre (cemitério de Santa Tecla) aproximadamente a oito quilômetros de Bagé. Mais adiante fomos informados por Eron Vaz Mattos do local onde moravam os pais de Adão Latorre (Rodeio Colorado) a partir da aí, então, é que entendemos o motivo da degola do Rio Negro, ou seja:
O coronel Pedroso depois de atear fogo na Estância do Limoeiro, cruza pelos “Olhos D’Água” e a poucos quilômetros, próximo a Encruzilhada, degola os pais de Adão Latorre e ateia fogo no seu rancho. Por esse motivo é que Adão Latorre se apresenta como voluntário aos revolucionários com o intuito de vingar o assassinato de seus pais por Manoel Pedroso, o que aconteceu com a sua degola e a seguinte narrativa, segundo o dr. João Maria Colares, em História de Bagé por Eurico Jacinto Sales, página 278:
MP - Adão, quanto vale a vida de um homem valente e de bem?
AL - De bem... não sei!!! A vida de um homem vale muito, a tua não vale nada porque está no fio de minha faca e não há dinheiro que pague.
MP - Pois então degola “negro filho da puta”. Dito isso segurou-se a um arbusto, levantando a cabeça para facilitar a tarefa ao inimigo.
Assistiu essa cena Pedro Luis Lacerda que dizia ainda haver ouvido o pedido de Pedroso a Adão para que entregasse um anel de seu uso a uma filha residente em Pelotas, segundo informações foi cumprido o feito por Adão Latorre. Passou anos e segundo as pessoas que conviveram com Adão diziam que era um cidadão de paz, amigo e servidor.
Na minha passagem pelo Exército Brasileiro por quase 30 anos, conheci o Pedro Antônio de Souza Neto (tio Pedro), ferreiro do antigo 12º RC, hoje 3º Batalhão Logístico (Batalhão Presidente Médici), o qual, ao conhecer a música Adão Latorre e seu autor, confessou, que no ano de 1923, com a patente de 3º sargento do Exército, foi designado a integrar um pelotão para fazerem o translado do corpo de Adão Latorre do Passo da Maria Chica (Ferraria, Dom Pedrito) para Bagé, onde foi sepultado no cemitério de Santa Tecla onde se encontra até hoje, conforme registro fotográfico, juntamente com seu irmão, o major João Latorre. Segundo informações, Adão Latorre foi fuzilado pelos capangas do major Antero Pedroso irmão de Manoel Pedroso em uma emboscada. Pedro Antonio de Souza Neto, desempenhou suas funções no 3º Batalhão Logístico, até os 90 anos de idade, vindo a falecer com toda a sua lucidez, aos 93 anos.

Letra música
Adão Latorre
Bombacha de pano bom
Cinto com as iniciais
Cabo de relho prateado
Com traços de ouro puro
Faca de prata e espada
Num pulso muito seguro.

“93” foi tua época
e nela foste um taura
temido em toda a pampa
por causa da degolada
da faca fio de navalha
E a gravata colorada.

Mais de trezentos foi teu número
Mais ou menos diz a história
Entre ganhas e perdidas
Tiveste mais foi vitória
Para uns tristeza e dor
Para outros, fortuna e glória.

Bom cavalo o teu tordilho
Os capangas eram dos bons
Com fletes do mesmo pêlo
Boas pilchas, bons aperos
Para uns era valente
Para outros covardão
Degolador de “93”
Coronel, negro Adão.

Corre a faca, corre o sangue
Tomba o homem na ladeira
Pois a morte é derradeira
Não dá mais pra atacar
Depois do pescoço solto
Não dá mais pra costurar.

Jota, jota, jota paisano
Cambalhota soldado clarim
Lagoa da música a bolapé
Negro Adão guarda a faca
“93” foi assim.

Arquivo/Luis Godinho

Adão Latorre



Tenente Coronel Adão Latorre foi um revolucionário Maragato (ou Gasparistas) que lutou na Revolução Federalista, refrega de bala e facão onde os Federalistas queriam apear do poder Júlio de Castilhos. Adão foi famoso, entre outras coisas, além da bravura mostrada em batalha, pela seu plantel de degolas, que era como na época se resolviam a questã dos indesejados e dispendiosos prisioneiros, pois balas e pólvora custavam caro é eram deixadas para as escaramuças "de verdade" e as cordas eram usadas para outros fins e aqui no sul, não é sempre que se acha uma adequada para enforcar (além de ser trabalhoso).

A história mais famosa do preto Adão foi a degola do Rio Negro, onde Adão degolou mais de 300 Chimangos (como eram chamados os governistas em 1923- Chimango - Milvago chimango Vieillot 1816 - é uma ave de rapina ocorrente no Rio Grande do Sul - antes eram chamados de Castilhistas ou Pica-paus) depois da Batalha do Rio Negro, no local chamado Potreiro das Almas, aqui pela volta de Bagé (aqui também Bagé) e Hulha Negra.


E sim, correm histórias aqui em Bagé, que a noite, no Potreiro das Almas, os corajosos que lá vão conseguem escutar os lamentos dos degolados.

O troço, a degola do Rio Negro, ocorreu em 23 de novembro de 1893. Sim, é um episódio controverso, tanto na autoria quanto nos números. Tarcísio Taborda, historiador bageense, conta trinta execuções e alguns pesquisadores, concluem que Adão por ser "pobre e preto" (sic.) levou a culpa. O que podemos ter certeza, era que as degolas ocorriam de ambos os lados. Contam histórias que algumas eram até precedidas de castração e existia até a modalidade de corrida de degolados. Criativos. Mas uma certeza é que Adão Latorre morreu metralhado aos 83 anos durante a revolução de 1923 (falarei mais outra hora), próximo a Dom Pedrito. Sim, você leu certo. Ele morreu lutando aos 83 anos. Sejam 30 ou trezentos degolados, o sujeito era macho. Só de metranca mesmo para parar o preto Adão.

Túmulos dos esquecidos

por: Cláudio Falcão

[19H:08MIN] 05/11/2010 - HSITÓRIA

O passar dos anos se encarrega de tornar mais fraca a memória da comunidade e de quase apagar a trajetória de vultos do passado.


Adão Latorre, o célebre bajeense que lutou nas revoluções de 1893 e de 1923 é um desses esquecidos. Seu túmulo, no Cemitério dos Anjos, recebe poucas visitas. No último Dia de Finados algumas velas foram colocadas em sua lápide por algum nostálgico. O cemitério se situa em propriedade particular e não está sob a responsabilidade da prefeitura. A pouca manutenção é feita pelos familiares dos mortos ou pelos proprietários da área que não podem se responsabilizar integralmente por esse tipo de cuidado. Mesmo assim, o cemitério pode ser visitado por qualquer um, desde que solicite permissão. Em dias especiais, como Finados, a entrada é livre. Adiante do Cemitério dos Anjos, na mesma estrada do Passo do Tigre, fica o Cemitério da Guarda, onde está sepultado outro personagem histórico: Chico Diabo. Em seu túmulo está a placa fixada pelo Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda. A aparência da sepultura permite supor que é muito visitada. O local, sem dúvidas é de mais fácil acesso. O cemitério está sob responsabilidade do poder público municipal. O que se nota, entretanto, é que tanto um como outro, necessitam de mais cuidados. A biografia de Latorre até hoje divide opiniões e gera debates polêmicos. A História é escrita pelos vencedores para os compêndios oficiais, mas é contada, também, pelos vencidos.
Como breve relato para esclarecer o contexto da época, Fagundes Cunha explica: “Maragatos e Pica-Paus, os dois grupos que alimentaram a guerra civil de 1893/1894, encontravam-se apoiados em razões muito diversas. Os Maragatos, também chamados federalistas, afirmavam-se vítimas da ditadura de Júlio de Castilhos, o “bárbaro togado”, fiel seguidor de Auguste Comte e do Positivismo. Como presidente do Rio Grande do Sul, insistia que os adversários precisavam ser punidos, sem piedade, em seus bens e em suas próprias pessoas. Partidários da república parlamentarista e do fortalecimento do ente federativo, seus líderes principais eram Gaspar Silveira Martins, inflamado tribuno dos tempos do Império e ideólogo do novo sistema, mais José da Silva Tavares e Gumercindo Saraiva na condição de generais ou cabos-de-guerra”. Estabelecida a vitória dos legalistas (Pica-Paus), e de acordo com a cartilha positivista, todos os expoentes maragatos foram, de certa forma, apagados ou diminuídos no contexto histórico. Note-se o nome das ruas da cidade onde os líderes maragatos são em menor número. Nesse mosaico, que é a memória, Adão Latorre sobrevive. Sua biografia é escassa e pontuada de afirmações pouco elogiosas referentes à sua suposta crueldade. Aos olhos contemporâneos a “Revolução da Degola” (1893) foi página das mais cruéis. É evidente que o ato em si é cruento, mas é preciso levar em conta o contexto da época. Paupérrimas provisões de munição, desgaste físico gigantesco face ao clima inclemente, embrutecimento moral e psicológico fruto da violência da guerra levavam à prática da “colorada” entre as fileiras revolucionárias. Se do lado maragato era assim, que dizer dos Pica-paus que decapitaram Gumercindo Saraiva, irmão de Aparício?
O episódio é atribuído ao comando de Firmino de Paula, pica-pau de destaque.
O que fica claro é que os massacres eram de ambos os lados. A famosa degola do Rio Negro, aqui perto de Bagé, faz a figura de Latorre ser realçada pela frieza nas execuções. Relatos dão conta que seriam 300 prisioneiros legalistas degolados, cifra controvertida pela falta de comprovação. Tanto que o historiador bajeense, Tarcísio Taborda, em aprofundada pesquisa, concluiu serem 30 execuções. Nessa ocasião, Latorre teria 58 anos de idade. Os pica-paus, por sua vez, em Palmeira das Missões, venceram o combate do Boi Preto, no Capão da Mortandade. Sobre esse fato é relatado que os prisioneiros maragatos foram atados com tentos e postos em marcha com a coluna vencedora. No caminho eram degolados e os números indicam cerca de 250 execuções (artigo de Tupinambá Nascimento, desembargador aposentado do TJRS). Como se pode notar, a herança positivista se encarrega de “laurear” os maragatos vencidos com a pecha de bárbaros cruéis. E nesse panteão, desponta Adão Latorre, que morreu em combate, em Dom Pedrito, com pouco mais de 80 anos, na revolução de 1923. A tapera de sua casa se decompõe e desaparece, aos poucos, silenciosa, à beira da estrada. Poucos vão visitar sua tumba e aos poucos ele vai sendo esquecido.





Fundação de Bagé

por: Cláudio Falcão

[21H:38MIN] 18/07/2011 - ESPECIAL

Do acaso à realidade

CATEDRAL: símbolo municipal acompanhou a evolução da cidade

Em 1811 irrompeu, no interior do Uruguai, um movimento generalizado e espontâneo, chefiado por Artigas, contra os espanhóis. Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, e que tinha relações de parentesco muito próximas à Coroa Espanhola, conseguiu de seu esposo a ordem para que as forças luso-brasileiras, concentradas ao longo das fronteiras do Rio Grande do Sul, penetrassem em terras castelhanas para cooperar com os exércitos monarquistas espanhóis sitiados em Montevidéu. Dessa forma, Dom Diogo de Souza inicia sua campanha à frente do denominado “Exército Pacificador da Banda Oriental”, que acampou por um tempo relativamente longo aos pés dos cerros de Bagé. O exército comandado por ele tinha três mil homens, uma parte pertencente à força que transmigrara para o Brasil, outra, os Dragões de Rio Pardo e uma terceira, o Regimento de Cavalaria Ligeira Sul Rio-grandense.
17 de julho de 1811 – Data oficial da fundação de Bagé, estabelecida pelo historiador Tarcisio Antonio Costa Taborda. O exército luso-brasileiro deixou o acampamento, em direção a Cerro Largo, levando 10 mil cavalos e dois mil bois. Ultrapassou o rio Jaguarão-Chico, acampou no passo de Aceguá e daí foi para a Fortaleza de Santa Teresa. Ao ir embora, o exército enfrentou uma série de dificuldades: era inverno, muita chuva, os rios estavam cheios e não davam passagem para as carretas carregadas. Foi então que Dom Diogo resolveu deixar em Bagé parte dos soldados, comerciantes e mulheres que haviam acompanhado o exército, alguns doentes, cirurgiões e mantimentos. Ao partir, Dom Diogo nomeou o tenente Pedro Fagundes de Oliveira comandante do acampamento de Bagé. Começou, então, a surgir um novo vilarejo que oferecia melhores recursos de água, lenha e proteção natural do que o aldeamento que já havia junto à antiga Guarda de São Sebastião. Nesta data, Dom Diogo de Souza, em ofício ao tenente Pedro Fagundes de Oliveira, o fez “deste campo e seu Destricto a cujo fim lhe dou toda a autoridade necessária”. Esse ato, que se pode chamar de declaração de nascimento de Bagé, contém três detalhes interessantes. O primeiro deles é a declaração expressa de existência do distrito de Bagé, até então nunca referida. O segundo é a recomendação para a conservação do campo, que era a designação do povoado surgido do acampamento. E por último, a nomeação de um comandante de distrito. Pela organização política e administrativa do Brasil, à época, os comandantes de distrito seriam nomeados para os lugares povoados com funções militares, administrativas e jurídicas. Sendo assim, estava confirmada a existência oficial de Bagé como núcleo habitacional.

“Bagé 200 anos” será o tema do carnaval 2012 da Bambas da Orgia

por: Munique Monteiro

[22H:05MIN] 18/07/2011 - BICENTENÁRIO

A mais antiga escola de samba da capital gaúcha, a Sociedade Beneficente Bambas da Orgia, levará para a avenida, ano que vem, o tema Bagé 200 anos.


A agremiação que mais possui títulos em Porto Alegre anunciou, na sexta-feira, a escolha, quando integrantes da escola estiveram na cidade a fim de conhecer a homenageada. Estiveram presentes: a presidenta da entidade, Rosalina Conceição, o diretor de carnaval Carlos Alberto da Silva, popularmente conhecido como Fau, o membro do departamento de carnaval, Claudioberto Rodrigues Chagas, o primeiro secretário do conselho deliberativo, Hélio Fernando Santos Barreto, a presidenta do conselho deliberativo, Fátima Rosane Sampaio, e o diretor de marketing Cláudio Toralles.
De acordo com Fátima Rosane a busca pelo tema começou no final de março, e a articulação com a prefeitura e Secretaria de Cultura há uns 10 dias. Fátima diz que a escolha foi determinada pelo fato de ser um tema diferenciado: “compramos a ideia dos 200 anos”, declara. Além de buscar levar Bagé e os bajeenses para a avenida, também participarão do carnaval da cidade, fazendo a abertura do evento. Para decidir qual enfoque irão dar, já iniciaram uma fase de pesquisa, onde estudam a história do município, garantindo que não deixaram de expor a tradição e o que reserva o futuro. A presidenta Rosalina conta que foi a primeira vez que esteve em Bagé, e que já adorou a cidade, principalmente as pessoas, elogiando a receptividade e o carinho recebido: “nos deixaram à vontade, vimos uma grande motivação nos bajeenses”, comenta.
Segundo destaca o secretário de Cultura, Sapiran Brito, o carnaval de Porto Alegre cresceu tanto que é transmitido ao vivo para todo o país, e poder estar presente no evento levando a história de Bagé, trará uma grande mídia e repercussão para a cidade. “O melhor de tudo é que eles não pediram dinheiro, não há compromisso financeiro nenhum, só o apoio institucional”, revela. Agora, Sapiran diz que o objetivo é mobilizar todos os bajeenses, residentes aqui e em Porto Alegre para participarem do desfile. No final da tarde de sexta-feira, todos os integrantes da escola visitaram o Jornal MINUANO, a fim de conhecer o veículo de comunicação, assim como a equipe de jornalismo.