segunda-feira, 26 de abril de 2010

HORÓSCOPO DO CHIMARRÃO

ÁRIES
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Esse, acha que a cuia é dele! Tu tá recém pondo a chaleira no fogo, e ele já tá ali, perguntando se tá pronto. Esbaforido, sempre se queima, ou fica com a bomba entupida, pois que não tem paciência pra esperar que a erva assente. Dá-lhe um trancaço, diz que no Natal ele vai ganhar uma cuia só prá ele. Não te preocupa, que é loco manso.

TOURO
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Ele primeiro vê se a cuia é linda, no más...Depois, fica ali, acariciando a dita, com cara de libidinoso.Como em geral, é guloso pra caraca, te passa o mate, mas fica te olhando atravessado, e ruminando... como é do seu feitio. Não vale a pena discutir com o bagual, pois além de cabeçudo, quase sempre é o dono da cuia e da bomba.

GÊMEOS
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O vivente já entra no rancho falando e contando causo, trovando e traqueando que é um inferno. Tudo com a cuia na mão. Até que o povaréu começa a ficar nervoso. Conselho: antes que esfrie até a água da térmica, saiam de fininho e vão tomar mate em outro lugar. Ele nem vai notar.

CÂNCER
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Esse já pega a cuia com ar de desolado, pois que a cuia lhe lembra a mãe. De tão sentimental, às vezes, até chora, lembrando do primeiro chimarrão (que a gauchada nunca esquece). Quando sente medo do escuro, dorme com a cuia embaixo do travesseiro. E tem pencas de cuias e bombas entupindo as gavetas... de recordação, ele diz.

LEÃO
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Loco e convicto, não é que me inventou de mandar gravar um brasão de família na cuia e outro na bomba? Só toma chimarrão se tiver um povo em volta pra ficar lhe olhando, e aí, aproveita, e desata a trovar e a declamar, esperando que lhe aplaudam. Sempre é bom não contrariar.

VIRGEM
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Primeiro, ele lava as mãos e todos os apetrechos, depois, confere se a erva é ecológica, e por aí vai. Acha que, o certo mesmo, era cada um ter a sua própria cuia, bomba e mate. Mas, por via das dúvidas, carrega sempre um paninho que, discretamente, vai passando no bocal da bomba. Como é metido a botiqueiro, e conhece todo tipo de erva deste Rio Grande, enquanto mateia, vai dando receitas e curando, de lombriga a esquizofrenia.

LIBRA
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Flor de fresco, chega a pegar a bomba com o dedinho levantado. Mas compensa, pelo senso de justiça. Só toma o mate depois que todo mundo já se serviu. Pra ele, matear, também pode ser sinônimo de namorar; daí que, se prenda, só faz roda de mate com a indiada marmanja, e, se marmanjo, põe açúcar e mel na cuia, e vai, todo lampero, pro Brique, ver se atrai as mosca, quer dizer, as moça.

ESCORPIÃO
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Pega a cuia, e matreiro... sai de fininho para algum canto, remoendo traumas, encucações e toda a sorte de loucuras. Sem essa de que vingança é um prato que se come frio, pois que, na água quente do amargo, fica tramando seus planos de vingança (inclusive, e principalmente: Revolução Farroupilha, a revanche!). E, ai daquele que não lhe passar a cuia. Outro que tem fantasias sexuais com a cuia, com a bomba e com a térmica. Só não me pergunte quais.

SAGITÁRIO
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Em geral estrangeiro, pois sagitariano que é sagitariano, nunca está em seu país de origem; aqui, no Rio Grande, pode ser um carioca, paulista ou baiano que, sem entender nada de tradição, fica mexendo o mate, com a bomba como se o amargo fosse um milk-shake. Conheci um que queria misturar mate com fanta uva.

CAPRICÓRNIO
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Inventou o tele-chimarrão com pingo-boy e tudo, e o chimarrão de negócios, o qual pratica toda a sexta-feira na sua empresa, que, aliás, exporta cuia, bomba, erva e demais aparatos para a gringolândia. Diz que já tá fazendo até inglês largar o chá e pegar a cuia.

AQUÁRIO
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Rebelde até a última cuia, acha que esse negócio de chimarrão tá superado. Só não sabe pelo quê. Doido, mas metido a bonzinho, adora um povaréu; daí que, convida todo o vivente que estiver passando, pra sua roda de mate. Acha que se o chimarrão fosse servido na ONU, o mundo seria outro.

PEIXES
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Inventou a leitura de cuia e recebe entidades durante a mateada. Se desconhece o tipo de ervas que usa... mas, diz que faz roda de chimarrão com os daqui e com os do além. Por isso, um conselho de amigo: se a roda de chimarrão for em outra estância, que volte de táxi.


CHURRASCO FOGO DE CHÃO


Os velhos tropeiros gaúchos quando iam recolher o gado na invernada, não dispunham de muitas opções de comida durante a camperiada, então matavam uma rês e preparavam um assado com a carne espetada em madeira, e temperado somente com sal grosso.As carnes nobres eram reservadas para o patrão, e os peões tinham a liberdade de comer toda a costela.Assim nasceu a costela feita em fogo de chão, tradição mantida até hoje no interior do Rio Grande do Sul. O churrasco feito em fogo de chão não absorve o cheiro do carvão, e é muito macio por seu preparo ser feito a uma distância razoável do fogaréu e praticamente assado com o calor da chama.

O Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta muito, mas estranha.
O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil. Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha.
Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser. Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta. Com pinheiros em vez de coqueiros. É tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que aqui no RS chamamos de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis. Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos. É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: - Mas que frescura é essa de neurose, tchê? Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê-la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta. Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo). E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da jeito americano, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três.
Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos.
Um dos meus poemas prediletos é Chimarrão, do radicionalista Glauco Saraiva,que tem estrofes como:
"E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (simplesmente lindo).
Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País. Não é verdade - mas poderia até ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde.
E ainda tem as mulheres mais bonitas do País,segundo a Agência Ford Models. Eu já sabia........!!! Outra: É o melhor lugar para se comer no Brasil (churrascos, saladas, massas, os melhores vinhos).
Além do gaúcho, chamado de "machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda, que quer dizer alguém de muito valor? Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

POUSADA DO SOBRADO















































































CASA DA BARBIE


Colonização portuguesa marca a história de Bagé

A sociedade portuguesa comemora hoje o dia em que o navegador Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, em 1500. O fato registra a chegada do primeiro europeu ao continente americano. A chegada dos portugueses, assim como de outros imigrantes mudou o modo de vida dos brasileiros. Assim como o Brasil foi descoberto, Bagé também foi fundada por um português: Dom Diogo de Souza. A etnia é uma das mais representativas na sociedade bageense. Vários são os exemplos da contribuição desta colonização para o desenvolvimento do município.A história é bem antiga e a herança existe até hoje. Seja na cultura, na música ou na culinária, a influência dos portugueses pode ser percebida facilmente. O professor de História, Cláudio Boucinha, conta que a colonização portuguesa é um dos braços da civilização que chegou até nós.- Somos um povo muito miscigenado. Embora o gaúcho tenha herdado muitos hábitos dos índios, como o simples banho diário, pratica não habitual na Europa, temos muita influência portuguesa, como a cultura de hortas. Claro que também há muito da cultura espanhola, italiana e alemã, comenta.O idioma português, embora seja um dos mais difíceis de serem aprendidos devido à sua alta complexidade e diferentes formas de combinações gramaticais, é uma das línguas mais faladas no mundo, revela Boucinha. Além disso, como foi aprimorado com palavras indígenas, o idioma se tornou ainda mais rico. Na literatura não há como deixar de citar Luís Vaz de Camões. Ele foi considerado o maior poeta da época de toda a exploração marítima, segundo Boucinha.A herança musical pode ser percebida pelo Fado português, que traduz todo o romantismo da música brasileira. A música gaúcha, por sua vez, teve mais influência dos espanhóis. E até mesmo a burocracia, o Brasil acabou herdando de Portugal, onde eram necessários preencher vários papéis e requerimentos para que fosse possível conseguir algo. Mesmo a proteção à mulher seja uma descendência árabe, ela foi trazida para o Brasil através de Portugal, assim como algumas das formas arquitetônicas peculiares.Em 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal, mesmo contra a vontade da Coroa Portuguesa, uma vez que o Brasil representava cerca de 70% a 80% da economia daquele país. A partir do final do século XIX, começaram a surgir as primeiras sociedades portuguesas, como uma forma de organizar a vida dos imigrantes. Em Bagé, o marco inicial foi em 1875, com a fundação do hospital da Sociedade de Beneficência. O objetivo era garantir maior saúde e segurança aos imigrantes de Portugal e, com isso, enraizá-los na cidade de modo que ninguém quisesse ir embora. Atualmente, o espaço é ocupado pelo Museu Dom Diogo de Souza.Um dos imigrantes portugueses de Bagé é João Fernando Franco Machado. Nascido em 26 de junho de 1927, em Viana do Castelo, cidade ao norte de Portugal, veio para o Brasil de navio, em 13 de fevereiro de 1952, para trabalhar nas construções civis da época. Ele recorda que, na época, diversos trabalhadores recebiam em ouro, o que era garantia de um bom emprego aliado a uma vida pessoal agradável.- Vim muito jovem para cá e desde então trabalhei muito na minha vida para conquistar o que tenho. Mesmo estando no Brasil há tanto tempo, até hoje faço viagens periódicas à Portugal, mas com certeza valeu a pena vir para o Brasil, destaca Machado.O atual presidente da Sociedade Portuguesa, Jorge Malafaia, lembra que tanto a Capela da Vila Santa Thereza como o Museu Dom Diogo de Souza e o Anfiteatro são heranças remanescentes da sociedade. Atualmente, o museu e o teatro encontram-se alugados para a Universidade da Região da Campanha (Urcamp).Hoje, existem cerca de 60 integrantes na sociedade e para se tornar sócio, as exigências estão bem menores, lembra Machado. Entre os benefícios estão um convênio médico com a Unimed e a inexistência de mensalidade, assim como não é preciso pagar para ir em jantares ou comemorações festivas promovidas pela sociedade.










Crioulo (cavalo)

O cavalo crioulo é uma raça de cavalos.

O cavalo crioulo se originou dos animais de sangue andaluz e berbere introduzidos no continente americano pelo aventureiro espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca nos primeiros anos após o descobrimento, mais adiante se inicia no que hoje é o Rio Grande do Sul, em 1634, criações com os equinos trazidos pelos padres jesuítas Cristóbal de Mendonza e Pedro Romero.[1]
Paralelamente as criações, alguns que foram se perdendo da comitiva de Cabeza de Vaca durante as suas campanhas na região passaram a se criar livremente nas planícies do conesul do continente americano, vivendo em estado selvagem por cerca de quatro séculos. Nesse período, as duras condições do clima acabaram criando, através da seleção natural, uma raça extremamente resistente a alta amplitude térmica, quanto à seca e à falta de alimento.
Assim como os mustangues norte-americanos, os animais que deram origem à raça crioula eram caçados e domados tanto pelos índios cavaleiros, os charruas, quanto pelos estancieiros.
Atualmente, a raça crioula está espalhada por todo o Brasil, mas especialmente na região froteiriça do Rio Grande do Sul, onde está o principal símbolo da raça, os descendentes de La Invernada Hornero, de Uruguaiana.

Características
Origem
Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, Chile

Tamanho
1,38 a 1,50 m

Pelagem
quase todas as variedades, menos albino e pintado tipo persa.

Caráter
tranquilo e esperto.

Atitude
cavalo de sela, de viagem, resistência e de lida de campo.

Qualidades
resistente.

Cabeça
curta; perfil retilíneo, ligeiramente côncavo ou convexo.

Flanco
curto, cheio, unindo harmonicamente o ventre ao posterior.

Paletas
comprimento mediano, ligeiramente inclinadas e fortemente musculadas, caracterizando encontros bem separados.

Braços e cotovelos
fortemente musculosos: braços devidamente inclinados com os cotovelos, bem afastados do peito.

Ante-braços
musculosos, bem aprumados, afinando-se até o joelho.

Joelhos
fortes e nítidos.

Canelas
curtas, com tendões fortes e bem definidos; bem aprumadas.

Quartelas
de comprimento médio, fortes, espessas, nítidas e medianamente inclinadas.

Cascos
de volume proporcional ao corpo, duros, densos, sólidos, aprumados e negros de preferência.

Garrões
amplos, largos, fortes, secos, paralelos ao plano mediano do corpo; ângulo anterior do garrão medianamente aberto.

Peso
oscilará entre 400 (quatrocentos) e 450 (quatrocentos e cinquenta) quilos.




Origem do termo "Gaúcho"

Existem várias teorias conflitantes sobre a origem do termo "gaúcho". Pode ser que o vocábulo tenha derivado do quechua (idioma ameríndio andino) ou do árabe "chaucho" (um tipo de chicote para controlar manadas de animais). Além disso, abundam outras hipóteses sobre o assunto. A primeira vez que foi documentado o seu uso foi em torno de 1816, durante a independência da Argentina.Segundo Barbosa Lessa em seu livro Rodeio dos Ventos, publicado pela Editora Mercado Aberto, 2a edição, o primeiro registro da palavra se deu em 1787, quando o matemático português Dr. José de Saldanha participava como integrante da comissão demarcadora de limites na fronteira do Brasil com o Uruguai. O registro se deu em uma nota de rodapé em seu relatório de trabalho.O termo originou-se na língua indígena da descrição de pessoas de hábitos nômades, criminosos, brancos pobres, escravos fugidos ou índios aculturados que não possuíam terras e vendiam sua força de trabalho a criadores de gado nas regiões de ocorrência de campos naturais do vale do Rio da Prata, entre os quais o pampa, planície do vale do Rio da Prata e com pequena ocorrência no oeste do estado do Rio Grande do Sul, limitada, a oeste, pela cordilheira dos Andes.O gentílico "gaúcho" foi aplicado aos habitantes da Província do Rio Grande do Sul na época do Império Brasileiro por motivos políticos, para menosprezá-los, sendo adotado posteriormente pelos próprios habitantes por ocasião da adoção da forma de governo republicana (1889), quando valores culturais tomaram outro significado. Também importante para adoção dessa imagem mítica para representação do Estado do Rio Grande do Sul é a influência do nativismo argentino, que no final do século XIX expressa a construção de um mito fundador da cultura da região.Na Argentina, o poema épico Martín Fierro, de José Hernández, exemplifica a utilização do elemento gaúcho como o símbolo da tradição nacional da Argentina, em contradição com a opressão simbolizada pela europeização. Martín Fierro, o herói do poema, é um "gaúcho" recrutado a força pelo exército argentino, abandona seu posto e se torna um fugitivo caçado. Esta imagem idealizada do gaúcho livre e altivo é freqüentemente contrastada com aquela dos trabalhadores mestiços das outras regiões do Brasil.Os gaúchos apreciam mostrar-se como grandes cavaleiros e o cavalo do gaúcho, especialmente o cavalo crioulo, "era tudo o que ele possuía neste mundo". Durante as guerras do século XIX, que ocorreram na região, atualmente conhecida como Cone Sul, as cavalarias de todos os países eram compostas quase que inteiramente por gaúchos.













Oração do Gaúcho
D. Luiz Felipe de Nadal
Bispo de Uruguaiana

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do Patrão Celestial.
Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.
Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do Céu.
Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do sol:
"Tomara que todo o mundo seja como irmão!. Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim".
Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase se querer, em me solto porteira a fora... Êta potrilho chucro, renegado e caborteiro...mas eu te garanto, meu Senhor, quero ser bom e direito!
Ajuda-me, Virgem Maria, primeira prenda do Céu. Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha. Pra fim de conversa, vou te dizer meu Deus, mas somente pra ti, que tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu. Amém.

Ave Maria do Gaúcho
Teixeirinha
Ave Maria do Gaúcho quando ele sai campo a fora Também reza um Padre-Nosso pede pra Nossa Senhora Pra livrar raio e trovoada temporal vem sem demora A chinoca lá no rancho também reza nesta hora Ele apressa sua tropa era boi vamos embora
“Virgem-Santa ouve as preces que ele rezou com fervor/o temporal já se espalha e o céu já muda de cor/ele tira o seu chapéu olha o céu do Redentor/ obrigado Virgem-Santa/obrigado meu Senhor/posso voltar pro meu rancho ver a china meu amor”
Na planície ou na coxilha lá vai um gaúcho andando Muitas vezes numa restinga tem uma cobra esperando No estouro de uma tropa ou um boi brabo avançando Na rodada de um cavalo ou um furacão roncando Pra livrar destes perigos Ave-Maria vai rezando: era boi!
Primeira prenda do céu Santa-Virgem Imaculada Protege o gaúcho andando na coxilha ou na canhada E assim ele prossegue chegar ao fim da jornada Entra no rancho cantando com a bolsa recheada.

Cevando o Mate

O ato de prepara o mate pode ser chamado de:
· cevar o mate
· fechar o mate
· fazer o mate
· enfrenar o mate
· ou CHIMARRÃO
A palavra amargo também é usada em lugar de mate ou chimarrão. Convite para tomar mate:
· vamos matear?
· vamos gervear?
· vamos chimarrear?
· vamos verdear?
· vamos amarguear?
· vamos apertar um mate?
· vamos tomar mate ou um mate?
· vamos tomar um chimarrão?
· que tal um mate?

O mate pode ser tomado de três maneiras, em relação à companhia: o mate solito (isoladamente); o mate de parceria (uma companheira ou companheiro) e, finalmente, em roda de mate (em grupo).
1.O MATE SOLITO
O homem que não precisa de estímulo maior para matear, que sua vontade; no geral, é o verdadeiro mateador.
2. O MATE DE PARCERIA
A pessoa espera por um ou dois companheiros a fim de motivar o mate, pois não gosta de matear sozinha.
3.RODA DE MATE

É na roda de mate que esta tradição assume seu apogeu, agrupando pessoas sem distinção de raça, credo, cor ou posse material (o homem vale pelos seus atos). Irmanados dentro deste clima de respeito, o mate vai integrando os homens numa trança de usos e costumes, que floresce na intimidade gaúcha.
O gaúcho nunca pede um mate, por mais vontade que tenha. Poderá sugeri-lo de forma sutil, esperando que lhe ofereçam. Há um respeito mítico, nas rodas de mate, percebido até por pessoas alheias ao meio, trascendendo ao próprio ato de matear. Introspectivo por excelência, induz o homem a uma busca interior, despertando a auto-análise em relação ao meio. Companheiro calado nos mates solitos, se fez vaqueano deste silêncio, onde se amansam sentimentos para a grande compreensão da vida!

A MÃO DIREITA
Para se receber o mate ou entregar a cuia de mate, deverá ser feito com a mão direita. No caso da mão direita estar ocupada, a pessoa deverá dizer:- Desculpe a mão!Ao que o outro responde:- É a mesma, a do coração.Fora dessa exceção, sempre com a mão direita.

ENCHENDO O MATE
No ato de encher o mate, pega-se a cuia com a mão esquerda e o recipiente com a direita. Após, acomoda-se o recipiente e se troca a cuia de mão para matear ou oferecer o mate, seguindo-se, sempre, pelo lado direito, o lado de laçar.O sentido da volta na roda de mate deverá partir pela direita do cevador ou enchedor de mate.

A ÁGUA PARA PREPARAR O MATE
A temperatura da água para preparar o mate nunca deve estar muito quente, pois pode queimar a erva, dando um gosto desagradável ao mate e lavando rapidamente. O PIALADOR DE MATE É o indivíduo que, chegando numa roda de mate, se posiciona de tal modo que a cuia fique a sua esquerda, à frente da pessoa que está mateando, lembrando o campeiro que se posiciona estrategicamente à saída da mangueira!O correto quando se cheganuma roda de mate é ficar antes do mateador, isto é, tendo a pessoa que está mateando a sua direita.

A ÁGUA DO MATE
A água para o mate nunca deverá ser fervida, pois se tornaria pesada, pela perda de oxigênio, transmitindo um sabor diferente ao mateador.O ideal é quando a água apenas chia.

CEVAR COM CACHAÇA
Algumas pessoas quando fecham um mate (ato de preparar o mate), costumam, em lugar de água para inchar a erva, colocar cachaça, pois a cachaça fixa por mais tempo a fortidão da erva-mate, sem deixar o gosto do álcool. Este modo de preparar serve tanto o mate amargo (chimarrão) como para o mate doce.A cachaça é só para iniciar o mate. Uma vez inchada a erva, cospe-se fora a infusão até roncar bem a cuia, esgotando-se comletamente o líquido. Depois desta operação, é só seguir cevando normalmente, com água, o mate.

SÓ O CEVADOR PODE MEXER NO MATE
A menos que se obtenha licença, só o cevador deve arrumar o mate, considerando-se falta de respeito alguém mexer sem permissão. Mesmo que o topete (barranco) esteja se desmanchando ou qualquer outro problema com o mate, devemos entregá-lo ao enchedor ou cevador. Podemos, isto sim, ao devolver a cuia, avisá-lo da ocorrência.O bom cevador, cada vez que recebe a cuia, antes de enchê-la, dá uma ajeitada na bomba, de modo que renove o fluxo de seiva, demonstrando, assim, seu conhecimento na intimidade com o mate.

EM RODA DE MATE
É comum, após o primeiro mate, que sempre é do cevador (o que faz o mate), ter início a rodade mate a partir do mais velho ou de alguém a quem se queira homenagear.Quando já estamos mateando e chega alguém a quem desejamos mostrar deferência especial, é fechado um novo mate em sua homenagem.

O PRIMEIRO MATE
Como já falamos, todo aquele que fecha um mate (faz o mate) deve tomar o primeiro em presença do parceiro ou na roda de mate.Este fato tornou-se tradicional devido a épocas remotas em que o mate serviu de veículo para envenenamentos. Por isso, o ato do mateador tomar o primeiro indica que o mate está em condições de ser tomado.Ainda no caso do primeiro mate, outro motivo que nos chega foi devido aos jesuítas, que atribuindo valores afrodisíacos ao mate, e para evitar que os índios passassem a maior parte do dia mateando, tentando afastá-los do hábito, criaram o mito entre os silvícolas cristianizados que Anhangá Pitã (diabo) estava dentro do mate. Mas não foram bem sucedidos os jesuítas e o hábito salutar sobrepujou o temor que lhes fora impresso. Por isso, toda vez que o indígena ia tomar um mate em presença dos outros, tomava o primeiro mate como demonstração que Anhangá Pitã não se encontrava no mate.

RONCAR CUIA
Uma vez servido o mate, deve ser tomado todo, até esgotá-lo, fazendo roncar a cuia.

O que é o Tradicionalismo?

Amor que a pessoa tem pelo chão onde nasceu, onde é nato. Associado ao nativismo, existem duas palavras muito utilizadas: pago, que é onde se nasceu e querência, onde se vive. Exemplo: "Eu sou dos pagos do Alegrete, mas estou aquerenciado em Porto Alegre".

Gaúcho
Nome pelo qual é conhecido o homem do campo na região dos pampas da Argentina, Uruguai e do Rio Grande do Sul e, por extensão, os nascidos neste estado brasileiro. Originariamente, o termo foi aplicado, em sentido pejorativo (como sinônimo de ladrão de gado e vadio), aos mestiços e índios, espanhóis e portugueses que naquela região, ainda selvagem, viviam de prear o gado que, fugindo dos primeiros povoamentos espanhóis, se espalhava e reproduzia livremente pelas pastagens naturais. Igualmente livre, sem patrão e sem lei, o gaúcho tornou-se hábil cavaleiro, manejador do laço e da boleadeira.

Qualidades do Gaúcho
·Hospitalidade
Coragem
·Nativismo
·Respeito à palavra empenhada
·Apego aos usos e costumes
·Cavalheirismo
Frases Comparativas
·Vários colaboradores
· abichornado... como - viúvo que se deu bem em casado- urubú em tronqueira (esperando um animal morto para alimentar-se e por isso está triste)
· alegre / faceiro / feliz... - como lambari de sanga-
que nem paisano a meia-guampa(paisano é expressão correntina e quer dizer patrício, amigo, camarada.
Meia-guampa é expressão gauchesca, que significa ébrio. Alegre como camarada meio bêbado)- como pinto no lixo- como puta em dia de pagamento de quartel - como milico em dia de soldo- que nem ganso novo em taipa de açude- como pica-pau em tronqueira- como mosca em rolha de xarope- como guri de tirador novo
· mais afiada ...- que língua de sogra- que navalha de barbeiro caprichoso
· amarga ... - como erva caúna (a palavra caúna é tupi e significa amarga; expressão de quem está desabafando suas dores)
· mais amontoado... - que uva em cacho
· mais ansioso... - que anão em comício
· mais apagado... - que fogão de tapera
· mais apertado... que - queijo em cincha- bombacha de fresco- rato em guampa
· mais apressado... - que cavalo de carteiro
· mais arisca... - do que china que não quer dar
· assanhada... como - solteirona em festa de casamento- lambari de sanga
· mais assustado... que ...- guri em cemitério- cachorro em canoa- cavalo passarinheiro (pessoa que se assusta de tudo, até de seus atos)
· mais atirado... que ...- capataz de estância grande- alpargata em cancha de bocha
· atrapalhado... - feito discurso de turco- que nem cego em tiroteio
· Era tão baixinho - que quando peidava levantava poeira do chão
· baixo como...- vôo de marreca choca- tamborete de china- umbigo de cobra- barriga de sapo
· babava... - como boi com aftosa
· bonita... - que nem laranja de amostra
· de boca aberta... - que nem burro que comeu urtiga
· bom... como - namoro no começo- faca achada
· branco... como - aipim descascado
· buliçoso... - como mico de viúva
· chato... - como chinelo de gordo- como colchão de gordo- que nem gilete caída em chão de banheiro
· mais caro que... - argentina nova na zona
· cara amarrada... - como pacote de despacho
· cheio... como - corvo em carniça de vaca atolada- penico em dia de baile- barril de chopp em festa de crente- bolsa de china
· cheirando bem.. - como cogote de noiva
· chorão como.. - terneiro novo
· cobiçada... - como anca de viúva, nova e bonita
· mais conhecido... - do que parteira de campanha- que feijão em cardápio de quartel
· mais constrangido ... - que padre em puteiro
· mais comprido ... que- putiada de gago- trova de gago- esperança de pobre- suspiro em velório- cuspe de bêbado
· contrariado... - como gato a cabresto
· coxuda... - como leitoa no engorde
· mais curto... que- coice de porco- estribo de anão
· desconfiado... - como cego que tem amante
· devagarzito... - como enterro de viúva rica
· mais difícil ...- que nadar de poncho e dormir de espora sem rasgar lençol
· dinheiro na mão de pobre, é... - como cuspe em ferro quente
· doído... - como guasqueaço em testa de negro, em comércio de carreira
· dorme... - atirado que nem lagarto (desta expressão surgiu o termo "lagartear", deitar-se ao sol; Diz-se do sujeito que não tem cerimônia, se "atira" em qualquer lugar, de qualquer jeito)
· mais duro ... que- salame da colônia
· empacado ... - como burro de mascate (diz-se da pessoa que não se decide ou que sempre trava decisões)
· mais encolhido... - que tripa grossa na brasa
· enfeitado... como - bidê de china- bombacha de turco- mula de mascate- carroça de cigano- quarto de china- santo milagroso
· mais enrolada...- que namoro de cobra- que linguiça de venda
· esburacado... - como poncho de calavêra
· escassa... como ...- pelo em recavém de touro - passarinho em zona de gringo
· esfarrapado... - que nem poncho de gaudério
· mais ensebado... - que telefone de açougueiro
· esparramados... - como dedos de pés, que nunca entraram em botas
· se espalhou... - como como pó de mangueira em pé de vento
· extraviado... - que nem chinelo de bêbado
· mais entravado... - que carteira de sovina
· falso feito..- cobra engambelando sapo
· mais fechado... - que baú de solteirona
· mais fedorento... - que arroto de corvo
· feia... - como bando de coruja- como mulher de cego
· mais feio... que- tombo de mão no bolso- facada na bunda- briga de touro- indigestão de torresmo- rodada de cusco em lançante- briga de foice no escuro- paraguaio baleado- sapato de padre
· firme... - que nem palanque em banhado- que nem prego em taquara- feito prego em polenta- como beliscão de ganso
· folgada... como - luva de maquinista, que qualquer um mete a mão - peido em bombacha- cama de viúva
· mais por fora...- que surdo em bingo- que cabelo de côco- do que cotovelo de caminhoneiro
· mais forte...- que porteiro de cabaré- do que peido de burro atolado
· frio... - de empedrar água do poço
· ganiçando... - como cusco que levou água fervendo pelo lombo
· mais gasto... - que fundilho de tropeiro
· gordo e lustroso... - como cusco de cozinheira- como gato de bolicheiro
· mais gostoso... - que beijo de prima
· mais grosso como...- dedo destroncado- parafuso de patrola- papel de enrolar prego- mandioca de dois anos- rolha de poço
· mais grudado ... - que bosta em tamanco de leiteiro
· mais inchado... - que sapo bulido
· mais informado ... - que gerente de funerária
· alma inquieta ... - como galho de sarandi tocado pelo vento
· mais intrometida... - que piolho na costura
· judiado... - como filhote de passarinho em mão de piá
· de alma leve... - como um passarinho
· mais ligeiro ... - que enterro de bexiguento
· leve feito...- pisada de gato
· louco... - como galinha agarrada pelo rabo
· mais magro... - que guri com solitária
· maldoso... - como petiço de guri
· mais medroso ... que- velha em canoa- cascudo atravessando galinheiro
· mais metido... - que merda em chinelo de dedo- que dedo em nariz de piá
· mais perdido...- que peido em bombacha- que cebola em salada de frutas- que cusco em procissão
· nervoso... como- potro com mosca no ouvido - gato em dia de faxina
· mais nojento... - que mocotó de ontem
· perfumado como ... - mão de barbeiro
· pior... - que jacaré sem lagoa- que cusco que caiu do caminhão da mudança (pra casa antiga não adianta voltar, a nova ele não sabe onde é!)
· quente ... - como frigideira sem cabo
· qiueto ... - como mosquito na parede
· rebola mais que ... - minhoca nas cinzas
· sabido ... - como sorro velho (O sorro ou guaraxaim perde o pêlo mas não perde as manhas; diz-se do líder que sempre acha um jeitinho para acomodar as coisas, ou cair fora dos compromissos assumidos)
· seco... - como charque velho esquecido no varal- como tiro de 12 cano-serrado
· sério... - feito delegado em porta de baile- que em defunto- que guri cagado- como guri que examina galinha para ver se tem ovo
· sincero... - como vaca pro touro
· sofrendo... - como joelho de freira na Semana Santa
· solita... - como galinha em gaiola de engorde
· suado como... - tampa de chaleira
· mais sujo que... - pau de galinheiro
· sutil... - como gato que vai pegar passarinho
· tradicional... - como embalagem de maizena- como fórmula de minâncora
· tranqüilo... - que nem cozinheiro de hospício- como água de poço
· mais vagaroso... - que tropeiro de lesma (expressão usada para pessoas lerdas, que demoram para tomar uma atitude)
· mais à vontade... - que bugio em mato de boa fruta
· mais virado... - que bolacha em boca de velha
· mais velho... - que andar de pé
· vermelho... - feito pitanga madura
· vivo... - como cavalo de contrabandista

Músicas Gauchescas - Estilos

Bugio
Tem sua origem reclamada por dois municípios, que tratam de divulgá-lo através de seus festivais: São Francisco de Assis (fronteira oeste) e São Francisco de Paula (região serrana). O processo de criação do Bugio foi inspirado no "ronco" do bugio, macaco que habita nossas matas. Da imitação desse ronco reproduzido pelo acordeon foi criado um novo ritmo que teria em São Chico de Assis, São Chico de Paula e de toda a região serrana um solo fértil para seu desenvolvimento. A maneira de dançar o Bugio também é inspirada nos movimentos desse macaco.

Chamamé
Chegou no Brasil pelo Rio Uruguai, sendo difundida pelas rádios argentinas no interior do Rio Grande do Sul, dando a conhecer valores como Ernesto Montiel e Tarragó Ros (pai) e muitas outras "legendas do Chamamé". A interpretação do chamamé pode ser a solo ou em duo, sendo essa modalidade vocal mais apreciada. Podendo ser dançado aos pares ou sapateado em sua origem, o chamamé no Rio Grande do Sul se diferenciou na maneira que os bailadores daqui deram a este ritmo. Vai desde um calmo chamamé- canção em tom maior ou menor, a um chamamé bem bagual em andamento bastante rápido quase uma polca. Vinculado ao chamamé está a manifestação denominada "Sapukay" que nada mais é que o grito dado espontaneamente pelos chamameceros no momento em que lhes dá gana ou no final de cada tema.

Chamarrita
É um ritmo de origem açoriana e madeirense (arquipélagos portugueses no Atlântico). É executado em tom maior, com raras exceções em tom menor. A Chamarrita está entre o ritmos comuns as três pátrias gaúchas: Argentina, Uruguai e Brasil. No Rio Grande do Sul, a Chamarrita está bastante identificada com costumes e temáticas campeiros. Além da Chamarrita mais galponeira, temos as versões mais executadas pelos conjuntos de baile, adaptadas a um ritmo mais bailável. A Chamarrita também é conhecida como Chamarra ou Chimarrita.

Milonga Arrabalera
Como o próprio nome diz: Milonga del "Arrabal" (urbana). Esta é a Milonga que mudou-se do campo para cidade, transformando-se em baile, muito apreciada nos bailes riograndenses. Por ser uma milonga de origem urbana, a temática estende-se desde o campo até a cidade, falando de temas de amor e cotidiano. A execução ao violão, já não é arpejada como a Milonga mas rasgueada como no Tango dando assim um ar mais bailável. A palavra Milonga é de origem Bantú (povo que se localiza entre o Congo, parte da Angola e Zaire). A apresentação da Milonga em versos é feita de várias maneiras, sendo elas em quartetos, sextilhas, oitavas e décimas. Voltando à origem do ritmo da milonga nos deparamos com a célula rítmica encontrada em Cuba na "Contradanza Francesa", na "Danza Cubana" e na "Habanera". A mesma célula rítmica também chamada "Ritmo de Tango" ou "Tango Congo".

Rancheira
Este ritmo bem crioulo (autêntico) em compasso 3/4 encontra paralelo em vários outros gêneros Latino Americanos deste estilo, tais como o "Pericón" uruguaio ou o "Joropo" venezuelano. Outra característica que o aproxima da América Hispânica é o "Sapateado" que é uma das maneiras de se dançar a Rancheira. A maneira mais comum de se dançar a Rancheira é a marcação dos pares do ritmo como pequenos pulinhos ou "puladinho". Outra modalidade bastante apreciada pelos bailadores á a Rancheira de Carrerinha em que os pares alinhados executam várias coreografias em momento de grande descontração. Como em outros gêneros bailáveis do RGS a gaita (acordeon, cordeona) tem papel de destaque, sendo a solista principal e contando coma participação do violão ou gaita a meio do tema.

Rasguido Doble
O Rasguido Doble, originário do litoral argentino - entre os rios Uruguai e Paraná abrangendo províncias como Corrientes, Missiones e Santa Fé- é um gênero bem diversificado. Pode ser executado de maneira bem cadenciada deixando a melodia fluir lentamente ou mais ligeiro. O nome Rasguido refere-se ao "rasgueado" violão que vai dar o acompanhamento necessário para sua parceria, a cordeona (acordeon), soltar-se em inspiradas melodias e acordes, sendo o Rasguido Doble cantado ou instrumental. Os principais responsáveis por trazerem este ritmo musical para as terras Riograndenses foram o missioneiros, cantores e guitarreirros como Noel Guarany, Cenair Maicá e Luís Carlos Borges.

Vanera
A origem da Vanera é no ritmo cubano Habanera, que é como era grafado o ritmo. Da Habanera para atual Vanera, várias modificações foram feitas, na grafia e no andamento bem mais rápido, para se tornar bailável. Ao longo de mais de três décadas, os conjuntos de baile gaúchos (fandangos) vêm desenvolvendo com sua experiência e criatividade vários padrões rítmicos em seus instrumentos típicos: acordeon, guitarra, baixo, bateria e pandeiro. A Vanera conquistou um espaço privilegiado nos bailes gaúchos, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer Fandango que se preze.

Vanerão
Também conhecido como limpa banco, tem o andamento mais rápido do que a Vanera. O Vanerão presta-se para o virtuosísmo do gaiteiro de gaita piano ou botonera (voz trocada), sendo assim muitas vezes um tema instrumental. Quanto a forma musical, o vanerão pode ser construído em três partes (rondó), utilizado em ritmos tradicionais brasileiros como o choro e a valsa. Quando cantado, dependendo do andamento e da divisão rítmica da melodia, exige boa e rápida dicção por parte dos intérpretes. O Vanerão com sua vivacidade exige bastante energia, tantos dos músicos, como dos bailadores de fandango.

Xote
O Xote gaúcho tem origem no 'schotis' europeu e sofreu aqui algumas mudanças. É um dos poucos ritmos de andamento quaternário sendo que a melodia está em divisão de colcheias pode em certas partes dobrar para semi colcheias, o que serve para os executantes demonstrarem todo seu virtuosismo, principalmente o acordeon, o violão ou guitarra. Por seu andamento médio, o xote dá condições a que os pares dancem de maneira figurada realizando as mais variadas coreografias.
Fonte:Centro Cultural Gaúcho, MTG

quarta-feira, 21 de abril de 2010

EMBRAPA









































































A Embrapa Pecuária Sul é um dos 40 centros da Embrapa que há mais de três décadas de existência vem trabalhando para a agropecuária brasileira, disponibilizando tecnologias nas áreas de bovinocultura de corte, de leite e ovinos, buscando o bem estar sócio-econômico do homem, com o foco no agronegócio.As contribuições geradas pela Embrapa Pecuária Sul são suficientemente consistentes para considerar esta Unidade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica um marco institucional na região sul do Brasil e, pela sua localização estratégica, para aqueles países limitrofes do Mercosul.

CLUBE COMERCIAL







O prédio inicialmente foi residência do Sr. Antônio Barbosa Netto. Mais tarde foi sede do Hotel Paris, até 1925, quando foi adquirido para ser construída a sede do Clube Comercial.O Clube Comercial foi inaugurado em 3 de junho de 1886. Teve quatro sedes: na Av. General Osório (atual Oba Oba), no “Solar da Sociedade Espanhola”, ao lado da Rádio Difusora (1934-1937) e na sede atual, cuja construção foi concluída em 1937.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CHURRASCO DE CHÃO E TIRO DE LAÇO




TARDE TÍPICA DE INVERNO EM BAGÉ....











VINHEDOS DA SALTON EM BAGÉ



DADOS DA PRODUÇÃO
Enólogo(a):
Lucindo Copat e equipe
Variedades Tintas:
Teroldego, Malbec, Carmenere, Cabernet Franc
Telefone:
(54) 2105-1000

CAMINHO FARROUPLIHA- BAGÉ


Quer mergulhar na história gaúcha, seguindo o rastro de figuras como Bento Gonçalves, Gomes Jardim e Giuseppe Garibaldi? O Caminho Farroupilha é um roteiro turístico que permite tudo isso e muito mais.
Dividido em duas partes – Costa Doce e Fronteira Gaúcha (ou Pampa Gaúcho) – o roteiro envolve 12 municípios: Guaíba, Camaquã, São Lourenço do Sul, Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e Piratini, integrando a Costa Doce, e Alegrete, Bagé, Santana do Livramento, Rosário do Sul e Caçapava do Sul, integrando a Fronteira Gaúcha.
A Costa Doce é a região ao longo da costa da Lagoa dos Patos e do Oceano Atlântico, na Região Sul do Rio Grande do Sul. Todas as cidades que integram essa parte do roteiro têm como ponto comum a ligação com a Revolução Farroupilha (1835-1845), o fato histórico mais importante da história do Estado.
Já a Fronteira Gaúcha é formada pelos municípios que estão mais afastados de Porto Alegre e que misturam as culturas do Brasil com a dos países da fronteira, em um cenário belíssimo e encantador.
Pontos turísticos
Entre os pontos visitados na Costa Doce estão a Fazenda do Sobrado, em São Lourenço do Sul, o Museu do Charque, em Pelotas (cenário da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, o centro histórico de Piratini, a Casa Gomes Jardim, onde morreu o herói Bento Gonçalves, além do Porto de Rio Grande, um dos pontos estratégicos mais importantes da Revolução Farroupilha.
Na Fronteira Gaúcha, um dos municípios que se destacam é Bagé. A cidade tem vocação para o turismo, e explora bem a paisagem do pampa, a figura típica do gaúcho, os costumes locais e a gastronomia farta campeira. Entre os destaques de Bagé estão a Igreja de São Sebastião, o Palacete Pedro Osório, o Museu da Gravura Brasileira (com acervo de mais de 800 obras), o Museu Dom Diogo de Souza (exibe a caneta que Médico assinou o livro dos presidentes do Brasil), entre outros.
No total, somando as duas partes do roteiro, são mais de 40 quilômetros percorridos e cerca de 13 horas de passeio, todos destacando a importância de fatos e figuras históricas do Rio Grande do Sul.
Uma época bem apropriada para fazer o roteiro é o mês de setembro, quando todos os municípios têm uma extensa programação cultural para celebrar a Semana Farroupilha, que acaba dia 20 de setembro, dia do aniversário da proclamação da República Rio-grandense.

TARDES DE OUTONO...


PRAÇA DO CORETO

AVENIDA SETE DE SETEMBRO A NOITE


PASSO DO ONZE


Campanha Gaúcha


A Campanha Gaúcha fica quase na fronteira com o Uruguai, bem próxima do início da faixa tradicionalmente considerada ideal para a vitivinicultura, entre os paralelos 30º e 50º. As condições climáticas são melhores que as da Serra Gaúcha e tem-se avançado na produção de uvas européias e vinhos de qualidade.
Com o bom clima local, o investimento em tecnologia e a vontade das empresas, a região hoje já produz vinhos de grande qualidade que vêm surpreendendo a vinicultura brasileira.

O clima da região é o subtropical úmido. O que isso significa? Bom, isso quer dizer que, nos campos sulinos, os verões são quentes, os invernos são frios e chove regularmente durante todo o ano. Quando falamos em invernos frios, estamos falando de temperaturas que podem registrar menos que 0º C, ou seja, que podem ser negativas. Quando falamos de verões quentes, estamos falando de temperaturas que podem chegar a 35º C.

É a região com a maior amplitude térmica do país, isto é, onde há maior variação de temperatura. ão existe estação seca. Nos tempos de frio podem ocorrer geadas. Na época fria chega mesmo a nevar em alguns locais do sul do país.

São chamados de pampas os campos mais planos que estão localizados ao sul do estado do Rio Grande do Sul. Neles existe uma vegetação campestre, que parece um imenso tapete verde. Nos pampas predominam espécies que medem até um metro de altura. São comuns as gramíneas, que às vezes transformam os campos em grandes capinzais.Nos pampas a vegetação pode, então, ser considerada rala e pobre em espécies. Ela vai se tornando mais rica nas proximidades de áreas mais altas. Nas encostas de planaltos, existem matas com grandes pinheiros e outras árvores, como a cabreúva, a grápia, a caroba, o angico-vermelho e o cedro.

Indumentárias

A indumentária do gaúcho é dividida em três grupos: o Traje atual, usado no dia a dia; o Traje de época, que é considerado histórico, e o Traje folclórico que é o traje típico de uma região. A mulher gaúcha nunca teve um traje folclórico, mas sim algumas peças herdadas de outras culturas, como os açorianos, portugueses, italianos e alemães.
Os quatro trajes fundamentais: 1 - Chiripá primitivo; 2 - Braga; 3 - Chiripá farroupilha; 4 - Bombacha.
Traje Indígena - 1620 a 1730
Os Missioneiros (Tapes, Gês-guaranizados) -
constituíam a matéria-prima trabalhada pelos padres jesuítas dos sete povos e se vestiam, conforme severa moral jesuítica e . usavam, ainda, uma peça de indumentária não européia - "el poncho" - o pala bichará. A mulher missioneira usava o "tipoy", que era um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado "chumbe". O "tipoy" era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, a índia missioneira gostava de usar um alvo "tipoy" de linho sobre o de uso diário. Apenas nas vestes religiosas, sobretudo nas procissões, as índias usavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro. Os Índios cavaleiros (Maias: Charruas, Minuanos, Yarós, etc), eram assim chamados porque prontamente se abonaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de amestramento e equitação. Usavam duas peças de indumentária absolutamente originais: o "chiripá" e o "cayapi". O chiripá era uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi dos minuanos era um couro de boi, inteiro e bem sovado (que se usava às costas) com o pêlo para dentro e carnal para fora, pintado de listras verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão. Os charruas o chamavam de "quillapi" e "toropi". A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. No rosto, pintura ritual de passagem, assinalando a entrada na puberdade. No pescoço, colares de contas ou dentes de feras.
Traje Gaúcho - 1730 a 1820
Patrão das Vacarias e Estancieira Gaúcha
O primeiro caudilho rio-grandense tinha mais dinheiro e se vestia melhor. Foi o primeiro estancieiro. Trajava-se basicamente à européia, com a braga e as ceroulas de crivo, a bota de garrão de potro, o cinturão-guaiaca, o lenço de pescoço, o pala indígena, a tira de pano prendendo os cabelos, o chapéu de pança de burro, etc. A mulher desse rico estancieiro usava botinhas fechadas, meias brancas ou de cor, longos vestidos de seda ou veludo, botinhas fechadas, mantilha, chale ou sobrepeliz, grande travessa prendendo os cabelos enrolados e o infaltável leque.Peão das Vacarias e China das Vacarias O traje do peão das vacarias destinava-se a proteger o usuário e a não atrapalhar a sua atividade - caçar o gado e cavalgar. Este gaúcho só usava o chiripá primitivo (pano enrolado como saia, até os joelhos, meio aberto na frente, para facilitar a equitação e mesmo o caminhar do homem) e um pala enfiado na cabeça. O chiripá assumia uma cor indistinta de múgria - cor de esfregão. À cintura, faixa larga, negra, ou cinturão de bolsas, tipo guaiaca, adaptado para levar moedas, palhas e fumo e, mais tarde, cédulas, relógio e até pistola. Ainda à cintura, as armas desse homem: as boleadeiras, a faca flamenga ou a adaga e, mais raramente, o facão. À mão, a lança - de peleia ou de trabalho. Camisa de algodão branco ou riscado, sem botões, apenas com cadarços nos punhos, com gola imensa e mangas largas. Pala, comumente, o de lã - chamado "bichará" - em cores naturais, e mais raramente o de algodão e o de seda que aos poucos vão aparecendo. Logo, também surge o poncho redondo, de cor azul e forrado de baeta vermelha. Pala: tem origem indígena. Pode ser de lã ou algodão, quando protege contra o frio, ou de seda, quando protege contra o calor. É sempre retangular com franjas nos quatro lados. A gola do pala é um simples talho, por onde o homem enfia o pescoço. Poncho: Tem origem inteiramente gauchesca. É feito de lã grossa, quase sempre azul escuro, forrado de baeta vermelha. O poncho tem a forma circular ou ovulada. Só protege contra o frio e a chuva. A gola é alta, abotoada e há um peitilho na frente do poncho. Botas: As botas mais comuns eram as de garrão-de-potro retiradas de vacas, burros e éguas. Eram lonqueadas ou perdiam o pêlo com o uso. Normalmente, eram feitas com o couro das pernas traseiras do animal que dão botas maiores. As que eram tiradas das patas dianteiras, muitas vezes eram cortadas na ponta e no calcanhar, ficando o usuário com os dedos do pé e o calcanhar de fora. Acima da barriga da perna, era ajustada por meio de tranças ou tentos. Esporas: As esporas mais comuns nessa época eram as nazarenas (européias)- nome devido aos seus espinhos pontudos, que lembram os cravos que martirizaram Nosso Senhor-e as chilenas (americanas)- nome à semelhança com as esporas do "huaso", do Chile. Luxo: O peão das vacarias só usava ceroulas de crivo nas aglomerações urbanas. Ademais, andava de pernas nuas como os índios. À cabeça, usava a fita dos índios, prendendo os cabelos - que os platinos chamam "vincha" - e também o lenço, como touca, atado à nuca. Chapéu: quando usava, era de palha (mais comum), e de feltro, (mais raro), e talvez o de couro cru, chamado de "pança-de-burro", feito com um retalho circular da barriga do muar, moldado na cabeça de um palanque. O chapéu era preso com barbicacho sob o queixo ou nariz. Esse barbicacho era normalmente trançado em delicados tentos de couro cru, tirados de lonca, ou então, eram simples cordões de seda, torcidas, terminando em borlas que caía para o lado direito. Mais raramente era feito de sola e fivela. Tirador: Ainda nesta época, aparece o "cingidor", que é o nosso tirador. Mulher: A mulher vestia-se com uma saia comprida, rodada, de cor escura e blusa clara ou desbotada com o tempo. Pés e pernas descobertas, na maioria das vezes. Por baixo, apenas usava bombachinhas, que eram as calças femininas da época.
Traje Gaúcho - 1820 - 1865
Chiripá Farroupilha e Saia e Casaquinho
O chiripá substituiu o anterior, que não é adequado à equitação, mas para o homem que anda a pé. Em forma de grande fralda, passada por entre as pernas e se adapta bem ao ato de cavalgar. O Chiripá Farroupilha é inteiramente gaúcho. Esse é um traje muito funcional, nem muito curto, nem muito comprido, tendo o joelho por limite, ao cobri-lo. As esporas deste período são as chilenas, as nazarenas e os novos tipos inventados pelos ferreiros da campanha. As botas são, ainda, a bota forte, comum, a bota russilhona e a bota de garrão, inteira ou de meio pé. As ceroulas são enfiadas no cano da bota ou, quando por fora, mostram nas extremidades, crivos, rendas e franjas. À cintura, faixa preta e guaiaca, de uma ou duas fivelas. Camisa sem botões, de gola, e mangas largas. Usavam jaleco, de lã ou mesmo veludo, e às vezes, a jaqueta, com gola e manga de casaco, terminando na cintura, fechado à frente por grandes botões ou moedas. No pescoço, lenço de seda, nas cores mais populares, vermelho ou branco. Em caso de luto, usava-se o lenço preto. Com luto aliviado, preto com "petit-pois", carijó ou xadrez de preto e branco. Aos ombros, pala, bichará ou poncho. Na cabeça usavam a fita dos índios ou o lenço amarrado à pirata e, se for o caso, chapéu de feltro, com aba estreita e copa alta ou chapéu de palha, sempre preso com barbicacho. A mulher usava saia e casaquinho com discretas rendas e enfeites. Tinham as pernas cobertas com meias, salvo na intimidade do lar. Usavam cabelo solto ou trançado, para as solteiras e em coque para as senhoras. Os sapatos eram fechados e discretos. Como jóias apenas um camafeu ou broche. Ao pescoço vinha muitas vezes o fichú (triângulo de seda ou crochê, com as pontas fechados por um broche). Este foi o traje usado pelas ricas e pobres desta época.
Traje gaúcho - 1865 até nossos dias
Bombacha e Vestido de Prenda
A bombacha surgiu com os turcos e veio para o Brasil usada pelos pobres na Guerra do Paraguai. Até o começo do século, usar bombachas em um baile, seria um desrespeito. O gaúcho viajava a cavalo, trajando bombachas e trazia as calças "cola fina", dobradas em baixo dos pelegos, para frisar. As bombachas são largas na Fronteira, estreitas na Serra e médias no Planalto, abotoadas no tornozelo, e quase sempre com favos de mel. A correta bombacha é a de cós largo, sem alças para a cinta e com dois bolsos grandes nas laterais, de cores claras para ocasiões festivas, sóbrias e escuras para viagens ou trabalho. À cintura o fronteirista usa faixa; o serrano e planaltense dispensam a mesma e a guaiaca da Fronteira é diferente da serrana, por esta ser geralmente peluda e com coldre inteiriço. A camisa é de um pano só, no máximo de pano riscado. Em ambiente de maior respeito usa-se o colete, a blusa campeira ou o casaco. O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores branco e vermelho são as mais tradicionais. Usa-se mais freqüentemente o chapéu de copa baixa e abas largas, podendo variar com o gosto individual do usuário, evitando sempre enfeites indiscretos no barbicacho. Por convenção social o peão não usa chapéu em locais cobertos, como por exemplo, no interior de um galpão. As esporas mais utilizadas são as "chilenas", destacando-se ainda as "nazarenas". Botas, de sapataria preferencialmente pretas ou marrons. Para proteger-se da chuva e do frio usa-se o poncho ou a capa campeira e do calor o poncho-pala. Cita-se ainda o bichará como proteção contra o frio do inverno. O preto é somente usado em sinal de luto. O tirador deve ser simples, sem enfeites, curtos e com flecos compridos na Serra, de pontas arredondadas no Planalto, comprido com ou sem flecos na Campanha e de bordas retas com flecos de meio palmo na Fronteira. É vedado o uso de bombacha com túnica tipo militar, bem como chiripás por prendas por ser um traje masculino. O vestido de prenda é uma criação do Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG a partir de 1948, criando assim um traje que representasse a mulher de tal forma a combinar com o traje atual dos peões. Existe também o traje alternativo feminino que é utilizado para cavalgadas, festas campeiras, entre outros usa-se então o vestido de prenda sem saia de armação e com capa, a bombacha feminina utilizada de modelo diferenciado do masculino, sem favos, sem bragueta e abotoada dos lados, com blusa ou fraque, modelos esses aprovados e atualizados em Congressos Tradicionalistas realizados pelo MTG.O traje atual da prenda adulta consiste em saia e blusa ou bata; saia e casaquinho e o vestido. O modelo é livre, evitando decotes abusados, ou seja, mostrar ombros e seios; as mangas não devem ser usadas com “boca de sino” ou “morcego”, seu tamanho varia entre longas, três quartos ou até o cotovelo. A saia sempre deve ser com a barra no peito do pé; em panos, godê ou meio-godê. No caso da blusa ou bata pode ou não ter gola. Na combinação saia e casaquinho, não pode haver bordados na saia, o casaquinho deve ter gola pequena e abotoado na frente, e pode ter bordados discretos O vestido pode ser, inteiro e cortado na cintura, de cadeirão, ou em corte princesa.É facultativo o uso de lenço com pontas cruzadas sobre o peito, o uso do fichu de seda com franjas ou de crochê, preso com broche ou camafeu, ou ainda do chalé. A quantidade de passa-fitas, apliques, babados e rendas é livre.A saia de armação, peça utilizada embaixo do traje feminino deve ser leve e discreta, na cor branca, se tiver babados devem estar no rodado da saia, hoje em dia evita-se o abuso na armação, e o comprimento deve ser inferior ao do vestido.A bombachinha, traje intimo feminino, deve ser de cor branca, com tecido leve e enfeitado com rendas discretas abaixo do joelho, cujo comprimento é também menor que o vestido, geralmente logo abaixo dos joelhos. Meias longas brancas ou coloridas, não transparentes; sapato com salto 5 (cinco), ou meio salto, que abotoe do lado de fora, por uma tira que passa sobre o peito do pé.Cabelo solto ou em trança (única ou dupla), com flores ou fitas. Vedado o uso de colares; Permitido o uso discreto de maquiagem facial, sem batons roxos, sombras coloridas, delineadores em demasia. Vedado o uso de relógios de pulso e de luvas; É livre a criação dos vestidos, quanto a cores, padrões e silhuetas, dentro dos parâmetros acima enumerados.

Culinária

A culinária do Rio Grande do Sul tem como tradição a carne de charque, o churrasco, o arroz "carreteiro" e as influências sofridas pela Imigração italiana no Brasil e alemã ocorrida durante o século XIX. Da mistura entre a comida indígena, portuguesa e espanhola e do homem do campo surge a chamada cozinha da Campanha e, com características mais urbana, a cozinha da região missioneira. O arroz e o feijão preto representam a constante brasileira na vida pastoril e urbana do Rio Grande do Sul. A cuca (pão doce) também é típica da culinária gaúcha.
Para o estudo da cozinha gaúcha, devem-se considerar as particularidades regionais: a Praiana (à base de produtos do mar); a cozinha da Campanha e Missões (predominando as carnes vacum e ovina); a da região dos Campos de Cima da Serra (onde o pinhão tem presença e o café com graspa sobrepõem-se ao chimarrão).

Herança indígena: utilização da mandioca e de seus produtos (farinha, tapioca, beju, pirão, mingau); uso do milho assado, cozido e seus derivados (canjica, pamonha, pipoca, farinha). Aproveitamento de plantas nativas (abóbora, amendoin, cara, batata-doce, banana). Cozimento dos alimentos na tucuruva (trempe de pedras), no moquém (grelha de varas) para assar carne ou peixe. Preparo do peixe assado envolvido em folhas; moqueca e também paçoca de peixe ou de carne (feita no pilão). Uso de bebidas estimulantes: mate e guaraná.

Herança portuguesa - aproveitou as especiarias da Índia (cravo, canela, noz-moscada). Criou novos pratos, adaptou outros e conservou algumas receitas tradicionais (bacalhoada, caldo verde, acorda, pasteis, empadas, feijoada, cozido, fatias douradas, coscorões, pão-de-ló, papo-de-anjo, sonhos, pães, compotas, marmeladas, frutas cristalizadas e licores).
A culinária luso-brasileira- distribuída pelas regiões gaúchas: Litoral (com influência açoriana) – peixe assado, grelhados, fervido, desfiado, moqueca de peixe, siri na casca, marisco ensopado, arroz com camarão, camarão com pirão. Pirão de água fria, pirão cozido, farofa, beju, angu de milho, mingau de milho verde, paçoca de carne desfiada, lingüiça frita, feijão mexido, fervido de legumes, açorda, canja, galinhada, fervido de suquete (osso buco), mocotó, bolo de aipim, pães caseiros, “massas doces” (pão doce sovado) “farte” (pão com recheio de melado), melado com farinha de mandioca, roscas de polvilho, roscas de trigo (fritas), rosquetes, “negro deitado” (bolo de panela), bolo frito, sonhos, omelete de bananas, banana frita, pão-de-ló, sequilhos, rapaduras (com diferentes misturas), pé-de-moleque, “puxa-puxa”, balas diversas, pasteis doces e salgados, doce de panela (de frutas), doce de leite, amobrosia, fatias douradas, bolos, pudins, empadas.Bebidas – Concertada (vinho com água e açúcar), Queimadinha (queimar cachaça com açúcar), Licores diversos (de vinho, de ovos, de butiá, de abacaxi etc), Café, mate-doce.
Cozinha Depressão Central (influência açoriana e outras) – Canja de galinha, sopas diversas, feijoada, feijão branco, fervido (com legumes e carne), feijão mexido, quibebe, paçoca de favas, arroz de forno, carne de panela ou assada no forno, bife enrolado ou à milanesa, guizado de carne, bolo de arroz, pão recheado, empadas, pastéis, “rosinhas” de massa, ovos mexidos e escaldados, “roupa velha” (sobras), peixe recheado, escabeche e frito, bacalhoada, bolinho de bacalhau. Conservas de pepino e cebola. Galinha assada ou recheada, arroz com galinha. Pães de forno, pão de panela, “mãe-benta”, biscoitos, “calça-virada”, coscorões, fatias-do-céu, merengues, broas, pudim de laranja, ambrosia de laranja, “manjar celeste”, pudim de pão, “ovos moles”, “fios-de-ovo”, arroz-de-leite, “bom-bocado”, mandolate, balas de leite, de mel, tortas (doces), pé-de-moleque, “farinha de cachorro” (farinha de mandioca com açúcar).Bebidas: gemada com vinho, licor de vinho, licores com furtas, vinho de laranja.

Cozinha da Campanha – Carnes grelhada, no espeto, no forno. Arroz “carreteiro”, espinhaço de ovelha ensopado, pasteis, empadão, feijão, “cabo-de-relho” (sobras). Pães caseiros (ao forno), pão “catreiro” ou “de pedra” (aquecidos sobre pedra ou chapa quente), roscas de milho, “farinha de cachorro”, ambrosia de pão, doces de “panela” (marmelada, e em calda).Bebidas: chimarrão.

Cozinha “Serrana” – Carne assada, frita, mocotó, feijoada (de feijão preto e branco), charque com mandioca, paçoca de pinhão com carne assada, couve refogada, couve com farinha, galinha assada, arroz com galinha e quirela de milho, batata-doce, moranga, milho cozido, cuscuz, farinha de biju com leite. Doce de gila, “jaraquatia”, sagu com vinho, arigones, arroz doce, doce de frutas (pêssego, figo, pêra), ambrosia, doce de leite, “chico balanceado” (doce de aipim), doce de batata doce.Bebidas: “Camargo” (café com apojo), quentão de vinho, café com graspa.

Cozinha da região Missioneira - Carnes (vacum, ovino) assada no forno, no espeto, grelhada, frita na panela, sopa de lentilhas, sopa de cevadinha, feijoada, “puchero”, “gringa” (moranga) caramelada, pirão de farinha de milho, canja, couve com farofa, matambre com leite, fervido de espinhaço de ovelha com aipim. Canjica, guizado de milho, pasteis, empadão, revirado de galinha, revirado de sobras, lingüiça frita, paçoca de charque, galinha assada. Pão de forno, pão de borralho, bolo frito, biscoitos, pão-de-ló, geléia de mocotó, doce de jaraquatia, pêssego com arroz, arigones, tachadas (marmelo, pêssego, pêra), doce de laranja azeda cristalizada, doce de leite, rapadura de leite, gemada com leite, bolos.Bebidas: chimarrão, mate doce, mate com leite.

Colônia alemã – Carne de porco (assada e frita), wurst (lingüiça), chucrut (conserva de repolho), nudeln (massa), kles (bolinhos de farinha de trigo com batata cozida), conserva de rabanete, galinha assada, sopa com legumes e ovos, kas-schimier (ricota), kuchen (cuca), leb-kuchen (cuca de mel), mehldoss (doces de farinha de trigo), schimier (pasta de frutas), syrup (frutos cozidos com melado), weihmachts (bolachinhas), bolinhos de batata ralada, pão de milho, de centeio, de trigo, tortas doces. Café colonial (salgadinhos, salames, queijos, bolos).Bebidas: Das bier - cerveja, chop. Spritzbier (gengibirra). Assimilaram o chimarrão.

Colônia Italiana – Brodo (caldo de carne), carne Lessa (carne cozida n´agua), capeleti (massa com recheio de carne picada) o mesmo que Agnolini, menestra ou aminestra (sopa, canja), galeto a menarôsto ( frango no espeto), ravióli (massa com recheio), tortei (pastel cozido recheado com moranga ou abóbora), macarôn (massa), spagueti (massa cortada), fidelini (massa fina), polenta (angu de farinha de milho), risoto (arroz com galinha e queijo ralado), pizza (massa de pão com molho e queijo), pera cruz (bolo fervido em calda de frutas), pães de trigo e milho, panetone (pão com frutas cristalizadas), salames, queijos.Bebidas: vinho, graspa.

O Chimarrão

Sempre presente no dia-a-dia, o chimarrão constituiu-se na bebida típica do Rio Grande do Sul. Também conhecido como mate amargo, significa símbolo da hospitalidade e da amizade do gaúcho. É o mate cevado sem açúcar, preparado em uma cuia e servido através de uma bomba. É a bebida proveniente da infusão da erva-mate, planta nativa das matas sul-americanas, inclusive no Rio Grande do Sul. Atribuem-se ao chimarrão, propriedades desintoxicantes, particularmente eficazes numa alimentação rica em carnes, pois é diurético e digestivo.
Destaca-se principalmente que o mate é estimulante da atividade física e mental, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos eliminando a fadiga.

Como preparar
1. Coloque a erva mate verde em 2/3 da cuia.
2. Tape com a mão ou com papel firme a boca da cuia, inclinando-a para ajeitar a erva, que deve ficar assentada de um lado só, deixando um espaço vazio.
3. Bata suavemente, com a ponta dos dedos, na superfície externa da cuia, no lado em que a erva mate está assentada, para que o pó mais fino se desloque para o fundo do porongo.
4. Coloque novamente a cuia na posição vertical, com suavidade, para que a erva mate não caia para o lado.
5. Despeje um pouco de água morna ou fria para umedecer e inchar a erva, e aguarde alguns instantes.
6. Coloque a água quente, tendo o cuidado de não deixá-la ferver. O melhor é respeitar o aviso da chaleira, que começa a chiar aos 80º.
7. Introduza a bomba no fundo da cuia, apoiada na erva, mantendo o bocal fechado com o dedo polegar, até assentá-la bem.
8. Quando a infusão acabar, deve-se acrescentar mais água. A operação pode ser repetida até que o chimarrão deixe de espumar, sinal de que a erva já enfraqueceu.

Os Dez Mandamentos do Chimarrão
Fonte: Pércio de Moraes Branco- Almanaque Tchê

1. NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço do Brasil: pedir açúcar.

2. NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão.

3. NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais.

4. NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia..

5. NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado.

6. NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia.

7. NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

8. NÃO "DURMAS" COM A CUIA NA MÃO
Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participaçâo não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão.

9. NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o toma está te prestando um favor.

10. NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer.

A CUIA NOVA

Quando a cuia é nova, é necessário curti-la antes de começar a matear. Para tal, é necessário enchê-la de erva-mate pura ou ainda misturada com cinza vegetal e água quente, que deve permanecer de dois a três dias, mantendo a umidade, para que fique bem curtida, impregnando o gosto da erva em suas paredes. O uso da cinza é para dar maior resistência ao porongo. Após o tempo determinado, retira-se a erva da cuia e, com uma colher, raspa-se bem o porongo, para retirar alguns baraços que tenham ficado.