terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cavaleiros partem em busca da imagem do Padroeiro




por: Munique Monteiro

Cavaleiros partem em busca da imagem do Padroeiro
Na tarde de ontem, os cavaleiros saíram em busca da imagem do Padroeiro, na Vila de São Sebastião, no distrito de Torquato Severo, para a procissão que acontece amanhã.

FRANCISCO RODRIGUES

CAVALGADA: resgata a história e homenageia São Sebastião


No sexto ano consecutivo, a Associação de Cavaleiros e Cavaleiras Rainha da Fronteira, é a responsável pela busca. Antes da partida, cerca de 35 cavalarianos, entre eles, homens, mulheres e crianças, receberam do pároco da Catedral de São Sebastião, padre Leandro Lopes, a missão de conduzirem a imagem do santo até à cidade de Bagé. Os participantes foram abençoados, e rezaram juntos o Pai-nosso, pedindo a graça da chuva, e também a oração dos cavaleiros. Segundo o coordenador da cavalgada, Mirabeau Borba dos Santos, o grupo que partiu ontem, dormiu na Fazenda Cacimba, que fica a 17 quilômetros de Bagé, e hoje pela manhã, retoma a cavalgada até o distrito, onde, às 17h, haverá missa celebrada pelo bispo Dom Gílio Felício, que abençoará os cavaleiros. Após, o grupo se desloca para a Fazenda Retiro, onde passa a noite, retornando amanhã ao município. A chegada está prevista para as 19h30min, quando ocorre a procissão de São Sebastião, tendo início em frente à Igreja Conceição. É o quarto ano que o bispo Dom Gílio Felício participa da cavalgada, para ele é um momento de resgate da história vivida em 1813, quando a imagem foi trazida à cidade. O momento também é de grande louvor e homenagem ao Padroeiro. Os cavaleiros recebem a escolta da Secretaria de Transportes e Circulação no perímetro urbano, e na rodovia, da Polícia Rodoviária Estadual.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A vinda do padroeiro


por: Cláudio Falcão

A data comemorativa ao padroeiro da cidade, São Sebastião, é o dia 20 de janeiro.


IMAGEM: pode ter origem jesuítica

Com a proximidade das celebrações vale lembrar como foi a vinda da imagem do santo mártir para a Bagé que apenas começava a existir. Segundo o historiador Tarcísio Taborda, quando Dom Diogo de Souza, em 17 de julho de 1811, deixou o acampamento militar que mandara erguer para seguir rumo a Montevidéu, à frente do Exército Pacificador, encarregou o tenente Pedro Fagundes de Oliveira de assumir a direção militar e civil “desse campo e seu distrito”. Oliveira havia sido comandante da Guarda de São Sebastião (hoje Torquato Severo) e cumpriu com zelo a missão que lhe foi atribuída. A guarda velha foi suprimida e os residentes do local vieram, progressivamente, morar no acampamento que já era um vilarejo. As determinações de Dom Diogo deixaram claras as intenções que o lugar prosperasse como núcleo de povoamento. A religiosidade fez com que a imagem que havia na Coxilha de São Sebastião fosse requisitada para Bagé e as providências para trazê-la foram tomadas. A aprovação pelo bispo do Rio de Janeiro em 18 de maio de 1812 para a remoção da imagem e as adaptações do antigo rancho que servira como residência do coronel Eloy Portelli. Em 20 de janeiro do ano seguinte, uma grande e concorrida procissão trasladou a figura do santo mártir da Guarda de São Sebastião para a nova povoação. O primeiro sacerdote que foi trazido para dar assistência espiritual aos moradores de Bagé foi o padre José Loureiro.Em 1815 foi iniciada a construção de uma nova igreja, no local onde hoje está edificada a Matriz de São Sebastião, que foi dada como pronta em 1820, para onde foi novamente transferida a imagem de São Sebastião. Na verdade, dada a falta de recursos o novo templo eram mais um galpão coberto de palha que uma igreja. Entretanto, os quatro sinos que vieram para adornar a nova edificação foram trazidos das Missões. Em 1827, com a presença do exército invasor chefiado por Alvear, os saques e as depredações atingiram não só o rancherio como a capela, de onde foram roubados vários objetos sacros e quase a totalidade dos registros documentais.Vultos de grande importância histórica pisaram o chão da igreja que hoje é a catedral. Osório, patrono da Arma da Cavalaria, casou-se lá, em 15 de novembro de 1835. Da mesma forma Emílio Mallet, patrono da Arma da Artilharia, contraiu matrimônio na capela de São Sebastião, em 1828. De acordo com o historiador Cláudio Boucinha, a imagem original de São Sebastião teria sido feita nas Missões. A escolha do santo para ser o padroeiro da cidade pode ser atribuída ao fato de ser, também, o padroeiro dos militares.Biografia *******São Sebastião nasceu no final do século III, em Narvonne, na França. Seus pais mudaram-se para Milão quando era pequeno, e lá ele cresceu e foi educado. A exemplo da mãe, desde garoto mostrou-se forte e piedoso na fé. Quando adulto, alistou-se como militar, nas legiões do imperador Diocleciano, que até então ignorava o fato de Sebastião ser um cristão. O imperador o nomeou comandante de sua guarda pessoal. Nessa posição de destaque, Sebastião tornou-se um grande benfeitor dos cristãos encarcerados em Roma na época. Visitava com frequência as vítimas do ódio pagão e consolava e animava os candidatos ao martírio. Enquanto o imperador empreendia a expulsão de todos os cristãos do seu exército, Sebastião foi denunciado por um soldado. Diocleciano sentiu-se traído, e ficou perplexo ao ouvir do próprio Sebastião que era cristão. Tentou, em vão, fazer com que ele renunciasse ao cristianismo, mas Sebastião defendeu-se com firmeza. O imperador deu ordem aos seus soldados para que o matassem a flechadas. Estes abandonaram o corpo para que sangrasse até a morte. À noite, a esposa do mártir Castulo, Irene, foi com algumas amigas ao lugar da execução, para dar-lhe sepultura. Assustadas, comprovaram que Sebastião ainda estava vivo. Irene o escondeu em sua casa, cuidando de suas feridas. Já recuperado, São Sebastião quis continuar seu processo de evangelização e, em vez de se esconder, apresentou-se de novo ao imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas. Diocleciano ordenou que ele fosse espancado até a morte, com pauladas e golpes de bolas de chumbo. E, para impedir que o corpo fosse venerado pelos cristãos, jogaram-no no esgoto público de Roma. Uma piedosa mulher, Santa Luciana, sepultou-o nas catacumbas. Esses fatos aconteceram no ano de 287. Mais tarde, em 680, suas relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica construída pelo imperador Constantino, onde se encontram até hoje. São Sebastião igualmente é tido como padroeiro contra a peste, a fome e a guerra.

O Mercado Público era...

Gente & Cultura
por: Cláudio Falcão

14/01/2011 - CULTURA
Páginas da história

O Mercado Público era localizado onde, hoje, está situado o Obinotel, o edifício Silveira Martins e os prédios do Conjunto Consórcio.
Na esquina do hotel ficava a Casa São João, na face Sul ficavam os armazéns e restaurantes populares, onde se reuniam os caixeiros viajantes. Na face Norte situavam-se as lojas de armarinhos, algumas com apenas uma porta. Aí começaram os comerciantes Salim Kalil e Felipe Kalil. Nos fundos do mercado, que se abria ao largo da bandeira, localizavam-se os açougues. No chamado Torreão Norte estava a “Agência Lotérica”. No interior do conjunto estavam as diversas bancas, que vendiam de hortigranjeiros aos peixes. No centro do mercado havia um quiosque de madeira, lugar onde eram servidos aperitivos aos frequentadores. Tendo marcado época na cidade, o Mercado Público foi concluído em 1922 e demolido em 1953.


FONTE: JORNAL MINUANO

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bianchetti ganha retrospectiva da carreira em Brasília

por: Cláudio Falcão

Bianchetti ganha retrospectiva da carreira em Brasília
Uma chance de conhecer obras raras de um dos principais nomes do expressionismo brasileiro é durante uma visitação à Câmara dos Deputados em Brasília.
No espaço, acontece até o dia 28 de fevereiro de 2011, sempre entre as 9h e às 17h, uma mostra que reúne 30 quadros do bajeense Glênio Bianchetti, 82 anos. Conforme explica o curador da exposição, Afrísio Vieira Lima, no mínimo, dois quadros de cada década de produção do artista estão disponíveis. As obras são oriundas de vários colecionadores, apreciadores de um talento manifestado na adolescência, ainda em Bagé.Em 65 anos de carreira, Bianchetti trabalhou com diferentes técnicas e procurou ser sempre um ativista social no conjunto de sua obra, há valorização da figura humana em atividades cotidianas. Entre os destaques de sua carreira está, por exemplo, um dos cartazes criados para a campanha das Diretas Já, durante a década de 80. O tema social está presente em trabalhos mais antigos, como na xilogravura sem título, de 1955, em que um trabalhador rural usa seu pilão, os traços são duros assim como é a dureza do trabalho no campo. Outros temas trabalhados durante a carreira são os religiosos, está presente, por exemplo, no quadro sem nome em que Jesus é retirado da cruz após a crucificação. A obra integrava uma série intitulada Via Sacra, exposta na igreja do Centro Histórico de Santa Tereza, mas que foi retirada pelo próprio autor por não fazer parte da sequência real da Via Sacra. A pintura mais antiga da exposição também possui relação com a cidade natal, em óleo sobre tela, ainda na década de 40, a obra apresenta a vista de uma das ruas de Bagé.

Gabinete de Arte**************O quê – Mostra de 30 obras de Glênio Bianchetti
Quando e onde - até o dia 28 de fevereiro no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Aberto para visitação guiada nos finais de semana e feriados, das 9h às 17h. Saída a cada meia hora do Salão Negro. Informações pelo 61 3216 5880.

Sociedade Italiana celebra 140 anos



A presença italiana no Rio Grande do Sul é muito forte e marcou, definitivamente, a fisionomia do Estado.
Mais forte e dominante no norte do RS, na serra gaúcha, a cultura dos italianos é produto turístico também. Entretanto, pouco se sabe a respeito dos italianos na fronteira sul do Estado e de suas contribuições para a formação étnica e cultural dessa parte do Rio Grande do Sul. Para resgatar essas origens é preciso retornar no tempo. Já nas primeiras décadas do século XIX os italianos marcavam presença no sul do país. Não é novidade a sua participação na Revolução Farroupilha, com Garibaldi, Tito Lívio Zambecari, entre outros. Desse modo, a imigração informal, tanto para o RS como para Bagé, antecedeu o início da imigração oficial, em 1875. Pois no dia 14 de dezembro de 1870, a comunidade italiana estabelecida em Bagé reuniu-se para fundar uma sociedade, destinada não apenas a aglutinar os compatriotas, mas também a prestar assistência aos que se encontrassem em situação de dificuldade econômica ou de saúde. Foi deliberado, nessa reunião, que a data oficial de fundação entidade seria no dia 1° de janeiro de 1871. Nascida com o nome de “Società Italiana de Soccorso Mutuo e Beneficenza in Bagé”, teve Giuseppe Bina como “primo presidente”.Ao reconhecer os bons serviços que a sociedade vinha prestando à comunidade local, em 1886, o governo da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul outorgou-lhe a propriedade de um terreno urbano. No local foi construída a primeira sede, inaugurada festivamente no dia 20 de setembro de 1887. No início da II Guerra Mundial, quando Brasil e Itália estiveram em campos opostos, a sociedade teve paralisada suas atividades. Nesse período perdeu para o município parte de seu patrimônio imobiliário. Lamentavelmente, nesse mesmo período, quase a totalidade dos livros de atas, documentos e fotos foi perdida. Ao final da guerra, recuperado o patrimônio restante, a entidade retomou suas atividades adotando, a partir de 1950, a denominação “Sociedade Italiana de Beneficência - Anita Garibaldi”. Nesses 140 anos de existência profícua, os membros da sociedade se preparam para as celebrações do bicentenário de Bagé, com diversos eventos ao longo do ano. O primeiro deles acontecerá amanhã, na concha acústica da Praça de Esportes, às 20h30min, com a Orquestra Filarmônica Batista. De acordo com Luciano Vacillotto, coordenador da comissão de festejos da sociedade italiana, o repertório iniciará com os Hinos Nacionais Brasileiro e Italiano, seguido de canções populares italianas, brasileiras e internacionais.

Antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição





Segundo dados obtidos junto à Cúria, o fundador da Capela da Conceição foi o ferrageiro Henrique Cunha Ribeiro.
A pedra fundamental foi colocada em 05 de abril de 1869, na rua Santa Bárbara (hoje General Osório), ao lado da Intendência Municipal, em frente à praça Voluntários da Pátria (hoje Silveira Martins). A imagem da santa foi enviada de Concepción (Paraguai), em 1870, pelo coronel Antônio Jacintho Pereira Júnior, tendo como mensageiro o pintor Filastro Ferreira Paes. As obras foram concluídas em 1871. Na Revolução Federalista (1893), a capela foi invadida pelos revolucionários. Desde 1905 a senhora Paquita Valls Pereira cuidou e zelou pela capela, até seu desaparecimento. Em 13 de janeiro de 1963 os padres capuchinhos iniciaram sua demolição, apesar das manifestações contrárias. Para evitar essas manifestações as paredes do templo foram derrubadas pela madrugada. O projeto da nova igreja foi de autoria do arquiteto Edmundo Bruno e a primeira missa do novo templo foi celebrada em 8 de dezembro de 1966.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CEMITÉRIO DA STA CASA

Cemitério da Santa Casa de Caridade é um dos mais antigos do Estado, sendo erguido em 1858. O local é considerado um museu a céu aberto, já que abriga mausoléus e esculturas que são verdadeiras obras de arte.
Instalado em 1858, o atual cemitério de Bagé foi o 4º cemitério construído na cidade. Os três primeiros (onde hoje está o Banrisul, a Praça Esporte e a Santa Casa de Caridade) eram a campo aberto, se proteção contra os animais que ali iam pastar. Foi construído então, um cemitério devidamente protegido, feito para funcionar por muitos anos. O primeiro a ser sepultado no novo cemitério foi o Sr. Libindo Antônio Martins.Encontram-se sepultados no Cemitério de Bagé personagens importantes da história da cidade, do Rio Grande do Sul e do Brasil. Vários veteranos da Guerra do Paraguai estão enterrados aqui, entre eles dois ex-inimigos da Revolução Farroupilha: o líder farrapo General Antônio de Souza Netto e o imperial Coronel João Nunes da Silva Tavares.Em 10 de setembro de 1836, os dois travaram uma das mais importantes e conhecidas batalhas da Revolução. Às margens do Arroio Seival, as tropas do General Netto derrotaram os imperiais, comandados por Silva Tavares, naquela que ficou conhecida como Batalha do Seival. No dia seguinte à vitória, o General Netto proclamou a República Rio-Grandense. Os antigos inimigos hoje descansam bem perto um do outro, estando um túmulo ao lado do outro.
Alguns personagens sepultados no cemitério de Bagé:·
Brigadeiro Antônio de Souza Netto Faleceu em 1º de julho de 1866.·
Coronel João Nunes da Silva Tavares Nascido em 24 de maio de 1819 e falecido em 09 de janeiro de 1906.·
Preto Caxias Maximiano Domingo do Espírito Santo era natural do Rio de Janeiro, filho de escravos, oriundo de Angola. Chegou em Bagé aos 36 anos de idade, como parte do 8º Batalhão de Fuzileiros. Depois de sair do exército, passou a trabalhar na Santa Casa de Caridade, onde foi zelador, enfermeiro e transportador de doentes, praticando inúmeras ações de beneficência. Suas boas atitudes para com os outros lhe valeram muito respeito e consideração do povo bageense, que até hoje continua a prestar homenagens a este grande homem. Faleceu em 1º de julho de 1888.


TEXTO: INVENTÁRIO CULTURAL DE BAGÉ- ELISABETH FAGUNDES