segunda-feira, 26 de abril de 2010

HORÓSCOPO DO CHIMARRÃO

ÁRIES
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Esse, acha que a cuia é dele! Tu tá recém pondo a chaleira no fogo, e ele já tá ali, perguntando se tá pronto. Esbaforido, sempre se queima, ou fica com a bomba entupida, pois que não tem paciência pra esperar que a erva assente. Dá-lhe um trancaço, diz que no Natal ele vai ganhar uma cuia só prá ele. Não te preocupa, que é loco manso.

TOURO
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Ele primeiro vê se a cuia é linda, no más...Depois, fica ali, acariciando a dita, com cara de libidinoso.Como em geral, é guloso pra caraca, te passa o mate, mas fica te olhando atravessado, e ruminando... como é do seu feitio. Não vale a pena discutir com o bagual, pois além de cabeçudo, quase sempre é o dono da cuia e da bomba.

GÊMEOS
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O vivente já entra no rancho falando e contando causo, trovando e traqueando que é um inferno. Tudo com a cuia na mão. Até que o povaréu começa a ficar nervoso. Conselho: antes que esfrie até a água da térmica, saiam de fininho e vão tomar mate em outro lugar. Ele nem vai notar.

CÂNCER
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Esse já pega a cuia com ar de desolado, pois que a cuia lhe lembra a mãe. De tão sentimental, às vezes, até chora, lembrando do primeiro chimarrão (que a gauchada nunca esquece). Quando sente medo do escuro, dorme com a cuia embaixo do travesseiro. E tem pencas de cuias e bombas entupindo as gavetas... de recordação, ele diz.

LEÃO
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Loco e convicto, não é que me inventou de mandar gravar um brasão de família na cuia e outro na bomba? Só toma chimarrão se tiver um povo em volta pra ficar lhe olhando, e aí, aproveita, e desata a trovar e a declamar, esperando que lhe aplaudam. Sempre é bom não contrariar.

VIRGEM
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Primeiro, ele lava as mãos e todos os apetrechos, depois, confere se a erva é ecológica, e por aí vai. Acha que, o certo mesmo, era cada um ter a sua própria cuia, bomba e mate. Mas, por via das dúvidas, carrega sempre um paninho que, discretamente, vai passando no bocal da bomba. Como é metido a botiqueiro, e conhece todo tipo de erva deste Rio Grande, enquanto mateia, vai dando receitas e curando, de lombriga a esquizofrenia.

LIBRA
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Flor de fresco, chega a pegar a bomba com o dedinho levantado. Mas compensa, pelo senso de justiça. Só toma o mate depois que todo mundo já se serviu. Pra ele, matear, também pode ser sinônimo de namorar; daí que, se prenda, só faz roda de mate com a indiada marmanja, e, se marmanjo, põe açúcar e mel na cuia, e vai, todo lampero, pro Brique, ver se atrai as mosca, quer dizer, as moça.

ESCORPIÃO
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Pega a cuia, e matreiro... sai de fininho para algum canto, remoendo traumas, encucações e toda a sorte de loucuras. Sem essa de que vingança é um prato que se come frio, pois que, na água quente do amargo, fica tramando seus planos de vingança (inclusive, e principalmente: Revolução Farroupilha, a revanche!). E, ai daquele que não lhe passar a cuia. Outro que tem fantasias sexuais com a cuia, com a bomba e com a térmica. Só não me pergunte quais.

SAGITÁRIO
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Em geral estrangeiro, pois sagitariano que é sagitariano, nunca está em seu país de origem; aqui, no Rio Grande, pode ser um carioca, paulista ou baiano que, sem entender nada de tradição, fica mexendo o mate, com a bomba como se o amargo fosse um milk-shake. Conheci um que queria misturar mate com fanta uva.

CAPRICÓRNIO
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Inventou o tele-chimarrão com pingo-boy e tudo, e o chimarrão de negócios, o qual pratica toda a sexta-feira na sua empresa, que, aliás, exporta cuia, bomba, erva e demais aparatos para a gringolândia. Diz que já tá fazendo até inglês largar o chá e pegar a cuia.

AQUÁRIO
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Rebelde até a última cuia, acha que esse negócio de chimarrão tá superado. Só não sabe pelo quê. Doido, mas metido a bonzinho, adora um povaréu; daí que, convida todo o vivente que estiver passando, pra sua roda de mate. Acha que se o chimarrão fosse servido na ONU, o mundo seria outro.

PEIXES
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Inventou a leitura de cuia e recebe entidades durante a mateada. Se desconhece o tipo de ervas que usa... mas, diz que faz roda de chimarrão com os daqui e com os do além. Por isso, um conselho de amigo: se a roda de chimarrão for em outra estância, que volte de táxi.


CHURRASCO FOGO DE CHÃO


Os velhos tropeiros gaúchos quando iam recolher o gado na invernada, não dispunham de muitas opções de comida durante a camperiada, então matavam uma rês e preparavam um assado com a carne espetada em madeira, e temperado somente com sal grosso.As carnes nobres eram reservadas para o patrão, e os peões tinham a liberdade de comer toda a costela.Assim nasceu a costela feita em fogo de chão, tradição mantida até hoje no interior do Rio Grande do Sul. O churrasco feito em fogo de chão não absorve o cheiro do carvão, e é muito macio por seu preparo ser feito a uma distância razoável do fogaréu e praticamente assado com o calor da chama.

O Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta muito, mas estranha.
O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil. Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha.
Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser. Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta. Com pinheiros em vez de coqueiros. É tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que aqui no RS chamamos de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis. Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos. É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: - Mas que frescura é essa de neurose, tchê? Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê-la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta. Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo). E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da jeito americano, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três.
Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos.
Um dos meus poemas prediletos é Chimarrão, do radicionalista Glauco Saraiva,que tem estrofes como:
"E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (simplesmente lindo).
Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País. Não é verdade - mas poderia até ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde.
E ainda tem as mulheres mais bonitas do País,segundo a Agência Ford Models. Eu já sabia........!!! Outra: É o melhor lugar para se comer no Brasil (churrascos, saladas, massas, os melhores vinhos).
Além do gaúcho, chamado de "machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda, que quer dizer alguém de muito valor? Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

POUSADA DO SOBRADO















































































CASA DA BARBIE


Colonização portuguesa marca a história de Bagé

A sociedade portuguesa comemora hoje o dia em que o navegador Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, em 1500. O fato registra a chegada do primeiro europeu ao continente americano. A chegada dos portugueses, assim como de outros imigrantes mudou o modo de vida dos brasileiros. Assim como o Brasil foi descoberto, Bagé também foi fundada por um português: Dom Diogo de Souza. A etnia é uma das mais representativas na sociedade bageense. Vários são os exemplos da contribuição desta colonização para o desenvolvimento do município.A história é bem antiga e a herança existe até hoje. Seja na cultura, na música ou na culinária, a influência dos portugueses pode ser percebida facilmente. O professor de História, Cláudio Boucinha, conta que a colonização portuguesa é um dos braços da civilização que chegou até nós.- Somos um povo muito miscigenado. Embora o gaúcho tenha herdado muitos hábitos dos índios, como o simples banho diário, pratica não habitual na Europa, temos muita influência portuguesa, como a cultura de hortas. Claro que também há muito da cultura espanhola, italiana e alemã, comenta.O idioma português, embora seja um dos mais difíceis de serem aprendidos devido à sua alta complexidade e diferentes formas de combinações gramaticais, é uma das línguas mais faladas no mundo, revela Boucinha. Além disso, como foi aprimorado com palavras indígenas, o idioma se tornou ainda mais rico. Na literatura não há como deixar de citar Luís Vaz de Camões. Ele foi considerado o maior poeta da época de toda a exploração marítima, segundo Boucinha.A herança musical pode ser percebida pelo Fado português, que traduz todo o romantismo da música brasileira. A música gaúcha, por sua vez, teve mais influência dos espanhóis. E até mesmo a burocracia, o Brasil acabou herdando de Portugal, onde eram necessários preencher vários papéis e requerimentos para que fosse possível conseguir algo. Mesmo a proteção à mulher seja uma descendência árabe, ela foi trazida para o Brasil através de Portugal, assim como algumas das formas arquitetônicas peculiares.Em 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal, mesmo contra a vontade da Coroa Portuguesa, uma vez que o Brasil representava cerca de 70% a 80% da economia daquele país. A partir do final do século XIX, começaram a surgir as primeiras sociedades portuguesas, como uma forma de organizar a vida dos imigrantes. Em Bagé, o marco inicial foi em 1875, com a fundação do hospital da Sociedade de Beneficência. O objetivo era garantir maior saúde e segurança aos imigrantes de Portugal e, com isso, enraizá-los na cidade de modo que ninguém quisesse ir embora. Atualmente, o espaço é ocupado pelo Museu Dom Diogo de Souza.Um dos imigrantes portugueses de Bagé é João Fernando Franco Machado. Nascido em 26 de junho de 1927, em Viana do Castelo, cidade ao norte de Portugal, veio para o Brasil de navio, em 13 de fevereiro de 1952, para trabalhar nas construções civis da época. Ele recorda que, na época, diversos trabalhadores recebiam em ouro, o que era garantia de um bom emprego aliado a uma vida pessoal agradável.- Vim muito jovem para cá e desde então trabalhei muito na minha vida para conquistar o que tenho. Mesmo estando no Brasil há tanto tempo, até hoje faço viagens periódicas à Portugal, mas com certeza valeu a pena vir para o Brasil, destaca Machado.O atual presidente da Sociedade Portuguesa, Jorge Malafaia, lembra que tanto a Capela da Vila Santa Thereza como o Museu Dom Diogo de Souza e o Anfiteatro são heranças remanescentes da sociedade. Atualmente, o museu e o teatro encontram-se alugados para a Universidade da Região da Campanha (Urcamp).Hoje, existem cerca de 60 integrantes na sociedade e para se tornar sócio, as exigências estão bem menores, lembra Machado. Entre os benefícios estão um convênio médico com a Unimed e a inexistência de mensalidade, assim como não é preciso pagar para ir em jantares ou comemorações festivas promovidas pela sociedade.