sexta-feira, 15 de julho de 2011

Autor dos murais da rodoviária é descoberto


por: Cláudio Falcão

[01h:20min] 16/07/2011 - ARTE
Autor dos murais da rodoviária é descoberto
Com a publicação da matéria sobre os murais pintados na rodoviária de Bagé, o autor das obras apareceu.

CLÁUDIO FALCÃO/ESPECIAL JM

COSIO: “é possível restaurar o trabalho”

O repórter havia buscado várias fontes para saber quem era o pintor, mas ninguém soube informar. Com a reportagem, vários leitores fizeram contato com o Jornal MINUANO, inclusive o próprio autor: Ubaldo Cosio, cidadão uruguaio, natural do pago de Centurión, departamento de Cerro Largo. Há cerca de 35 anos em terras bajeenses, Cosio veio para o Brasil para trabalhar como confeiteiro. Nesse ofício esteve por mais ou menos 10 anos. Mas seu talento ultrapassava as decorações de glacê nos bolos e ele quis mudar. Nos últimos 25 anos dedica-se exclusivamente ao artesanato, com pinturas sobre vários materiais. Já fez algumas exposições na Casa de Cultura, mas, esclarece, só trabalha por encomenda. Com isso, não dispõe de várias obras para expor ao público. Sua produção é comercial. Tudo o que pinta vende na banca n° 4 do Centro de Integração Comercial da rua Flores da Cunha.
Seu trabalho é diversificado. Pinta murais, quadros a óleo, cenas gaúchas em azulejos ou sobre peças de couro. Suas obras correm o mundo em países como Japão, Alemanha, Austrália, Espanha, Portugal e Estados Unidos. Desde cedo, Cosio manifestou interesse e habilidade para as artes plásticas. Autodidata, depois de uma certa experiência profissional é que partiu para aperfeiçoamentos, tanto em Bagé como no Uruguai. A par disso, o pintor revelou que sempre leu muito e estudou a história da arte. O mau estado de conservação dos murais que pintou na rodoviária o entristece. Ele informou que, após a inauguração do prédio, Tarcísio Taborda teria inscrito os murais no patrimônio artístico da cidade. No entanto, afirmou que, se for procurado, está disposto a fazer a recuperação das pinturas: “basta a gente conversar para acertar o serviço”, concluiu entusiasmado.


FONTE JM

Nós que viemos de longe

por: Sapiran Brito

[23H:32MIN] 15/07/2011 - OPINIÃO

Chovia naqueles dias, quando Dom Diogo andava por aqui. O nobre fidalgo português, homem de inteira confiança de Dom João VI vinha com a missão de assegurar para o império a província Cisplatina.


Desde a aventura portuguesa da Colônia de Sacramento, os espanhóis de Buenos Aires disputavam este território, o que fez que fundassem Montevidéu. Estas terras viviam, naqueles dias, em permanente conflagração com a movimentação dos exércitos e o nosso povo de então, gaúchos sem pátria ou família, descendentes de índias desamparadas e euroupeus abusados, pagavam a conta com o sacrifícios de suas vidas. Sob esse signo nascemos, o que nos faz, historicamente, frutos da guerra.
Há 10 mil anos que estávamos aqui, abrigados nas etnias de pampas, charruas e minuanos que guerreavam entre si pequenas guerras, que, com a chegada dos europeus, transformaram-se em guerras monumentais, verdadeiros genocídios como o que aconteceu com Sepé Tiaraju e sua gente guarani.
Isolados do resto do Brasil, vivíamos nós, suportando temperaturas de 40 graus no verão e abaixo de zero no inverno. Isolados pela distância das metrópoles Rio de janeiro, Montevidéu e Buenos Aires. Nos dias da passagem do Exército Pacificador, que se deslocava por aqui para garantir o território brasileiro, chovia, tanto ou mais, quanto chove hoje, nesta época. Não tínhamos asfalto e nem paralelepípedo, e as vias eram verdadeiros mar de lama e só a superação tornava possível a existência de seres humanos nesta paragem. Saúde e condições sanitárias, nem pensar; alimento, só a caça, algumas frutas silvestres e o gado chimarrão, herança da vacaria do mar. Os jornais e cartas chegavam aqui dois ou três meses depois e outras formas de comunicação não existiam. Só gente muito atrevida e guapa conseguia sobreviver nestas plagas. Essa é a nossa grande herança. Sobreviventes apesar de tudo. Quando Dom Diogo, no dia 17 de julho de 1811, decidiu prosseguir sua marcha com destino a Maldonado, teve que deixar por aqui parte do seu exército de cinco mil homens. Ficaram as mulheres, as crianças, os inválidos e os doentes, desses que foram cruzando com a indiada formaram o povo de Bagé.
De lá pra cá, passado 200 anos, ou se quiserem, 10 mil e 200 anos, as coisas não mudaram muito, porque se nós, comparando-nos a outras cidades, somos campeões em termos de condições desfavoráveis. Contrariando essa realidade, nos constituímos enquanto povo, e fomos nós que asseguramos a ocupação do território fazendo, com isso, que o Brasil fosse maior. Sim, essa conta a nação nunca nos pagou e, hoje, somos a capital da Metade Sul, uma das zonas mais pobres do país. Mesmo assim, resistimos e resistiremos, ninguém há de nos tirar daqui e, sim, muito outros virão juntar-se a nós e todos serão bem-vindos, porque os que aqui chegaram e chegarão são tão brasileiros e bajeenses quanto nós. Jamais falharemos ao Brasil e este país tem que entender, um dia, que, além de assegurar fronteiras, nós, de Bagé, moldamos o modelo cultural do gaúcho rio-grandense, este estado emblemático e geopoliticamente decisivo na formatação do estado nacional.
Estivemos presente nos principais acontecimentos históricos desta nação. Desde a Guerra do Paraguai até a Guerra de Canudos. Somos, enfim, os desvalidos, os sobreviventes, e, com muito orgulho, colocamos no peito esta medalha. Como se tudo isso não bastasse, é grandiosa a nossa colaboração à arte e à cultural nacional. Lá fora nos chamam de grosso, mais dificilmente se encontrará no Brasil uma cidade tão refinada e tão culturalmente evoluída como a nossa. Que nos abandonem, pouco importa. Continuaremos aqui, fiéis, leais e altaneiros e, parafraseando o poeta Jaime Caetano Braum, vamos dizer aos demais: “sou bajeense e me basta”.

FONTE JM

Pinturas da rodoviária precisam de reparos











por: Calvin Furtado

Um importante registro histórico está condenado à ação do tempo. Os três painéis que datam da inauguração da Estação Rodoviária de Bagé, em 1978, nunca foram restaurados.

FRANCISCO RODRIGUES


OBRAS: inauguradas em 1978, a figura melhor conservada está na rampa interna

A assinatura localizada nos cantos superiores de cada tela, V. Cosio, é um mistério para os bajeenses.
A reportagem do Jornal MINUANO procurou representantes da prefeitura, da empresa que tem a concessão para operar na rodoviária e personalidades ligadas às artes plásticas. Por enquanto, não existem registros que comprovem a autoria nem o paradeiro do autor dos quadros.
A mais conservada das obras está localizada na rampa de acesso até o saguão da estação rodoviária. Os quadros fazem menção aos gaúchos habitantes da região, suas práticas e manejo com animais. As outras duas pinturas, localizadas no lado de fora, estão bastante deterioradas e é possível identificar poucos traços.
Para o taxista José Fernando Marimon Nogueira, 60 anos, as obras deveriam ser revitalizadas. Ele conta que trabalha na rodoviária desde 1984, e que nunca houve nenhuma espécie de restauro. “A pintura existe desde a fundação, é uma obra belíssima que nunca recebeu restauração. Isso merece atenção do poder público”, entende.

Túmulo de Gaspar Silveira Martins no interior da Catedral









CATEDRAL E SEU INTERIOR BELÍSSIMO

























FOTOS DO BLOG ENFEITANDO A VITRINE DA GATHI CALÇADOS !!!




Exposição de produtos na calçada divide opiniões


FONTE JM

Em cidades próximas, como Santana do Livramento, por exemplo, é comum ver roupas expostas nas calçadas das lojas, como forma de atrair o cliente.

ROUPAS PENDURADAS: não há impedimento legal para a prática

Em Bagé, porém, a prática é pouco usada, principalmente na avenida Sete de Setembro, principal ponto comercial da cidade. Bastou uma loja nova adotar a exposição diferenciada de produtos para começar a polêmica: afinal, pode ou não pode? E se pode, os consumidores concordam?
Na internet, um site de relacionamentos já registrou diversas opiniões de bajeenses desfavoráveis ao modo de vender da loja, localizada na avenida Sete, na quadra da Casa de Cultura. A proprietária, Leila Bakri, disse já ter conhecimento de algumas críticas, mas se mostra surpresa com os posicionamentos. “Temos loja em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande, Chuí e é a primeira vez que passamos por este tipo de problema”, conta, complementando que os produtos não impedem o passeio público, já que a exposição é aérea. “Os clientes estão recepcionando muito bem e recebemos muitos elogios”, argumenta. Leila diz, inclusive, que vai procurar o poder público para se certificar de que não está fazendo nenhuma irregularidade.
Embora esteja sendo motivo de polêmica, o responsável pela fiscalização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, José Elimar Castro, explica que não há legislação que proíba a prática. Ele ressalta que, de acordo com o artigo 18 do Código de Postura do município, o comércio é autorizado a colocar cadeiras e mesas no passeio público, a exemplos dos bares, o que gera a interpretação de que é permitido utilizar o espaço. “Só é preciso ter uma altura mínima de dois metros 10 centímetros para não atrapalhar quem está passando”, argumenta, lembrando, ainda, que existe legislação proposta pelo ex- vereador deficiente visual, Airton Leão, que impede que qualquer empecilho atrapalhe o ir e vir dos deficientes visuais. Como não é o caso da loja, Castro conclui que não há impedimento legal neste caso.

O que pensa a comunidade
***
O que você achou desta forma de expor os produtos e atrair os clientes?

“Acho bom, é uma forma diferente de trabalhar e tudo que é diferente deve ser bem-vindo.”
Ana Paula Costa, 38 anos, técnica de enfermagem


“Estão fazendo a mesma coisa em Livramento, só que, às vezes, se torna um transtorno e acaba sendo excessivo.”
Elenise Lopes, 23 anos, agente educacional


“Acho que é uma faca de dois gumes. Metade da população vai gostar e a outra metade pode achar fora de uso. No meu ponto de vista, penso que a abordagem é um tanto agressiva e apelativa, principalmente para o visual da cidade, que acaba ficando feio. Imagina se todas as lojas optarem por fazer isso? Existem outras formas de marketing que podem trazer mais resultado.”
Leandro Sawchuk, 32 anos, palestrante


“Eu, particularmente, não concordo. Se a pessoa estiver interessada vai entrar na loja e pesquisar. Já passei várias vezes aqui e me incomoda esta forma de abordar.”
Anderson Garcia, 20 anos, tatuador